quinta-feira, 31 de julho de 2014

Atenas - Grécia


A gente falava da nossa vontade de ir a Grécia há um tempão, desde  antes de vir a Suíça. A oportunidade veio com uma passagem super barata de uma empresa aérea regional grega - a Aegean. Iríamos com certeza a Atenas e decidimos aproveitar a visita e ir também a Santorini. Foi difícil escolher que ilha visitar, mas acabei escolhendo Santorini, porque me parecia ter um charme todo especial, além de que o fato de ser uma ilha vulcânica ter me soado bem interessante. Eu não tinha intenção de ir no verão para curtir praia ou a ensolarada Grécia, apenas aproveitei os bons preços. 

Bem, pra começar, eu nunca tinha ouvido falar da Aegean e acabei descobrindo por acaso em uma dessas minhas pesquisas malucas e, na maioria das vezes, sem compromisso. Acabei descobrindo junto uma mega promoção de voos saindo da Suíça. Para completar, a empresa está entre as melhores regionais da Europa. 

Estávamos ansiosos para ouvir como soava o grego e o primeiro contato seria logo dentro do avião. O voo atrasou uma meia hora e, bem na nossa frente, um cara muito do fedido quis tirar a nossa mala do compartimento para colocar no da frente sem nem nos perguntar ou informar. A mala dele era muito grande (ora, vejam só!) e não iria caber junto com a nossa ( sendo que o compartimento era para as duas fileiras). Eu reclamei que aquela era a nossa mala e que ele deveria avisar caso precisasse mudá-la de posição. Enfim, começamos a viagem sendo os chatos do avião. 

Mas, tirando esse incidente e tirando o atraso, o voo foi ótimo em todos os sentidos. O serviço a bordo (que eu nem esperava ter, já que comprei a opção super ultra econômica) era ótimo - almoçamos e bebemos vinho grego. As comissárias eram simpáticas, mas já começamos a sentir o que nos aguardava pela Grécia: um inglês com um sotaque sofrível. E quanto ao voo, falando como uma pessoa medrosa, o avião foi de Zürich até Atenas sem nenhum tipo de instabilidade e o pouso foi o melhor da minha vida, nem senti as rodinhas batendo no chão. 





Ah, e a primeira impressão do grego? Não podíamos entender uma palavra, mas soava muito como o espanhol. Era como se alguém falasse espanhol, mas a gente não entendesse nada. E quando paramos para esperar pelas malas, começamos a nos divertir com a escrita esquisita e todas as letras que, para nós, eram símbolos matemáticos. Zürich, por exemplo, virou isso aí, ó:



E sair do aeroporto pra chegar a cidade foi bem fácil. Tínhamos a opção do metrô e do ônibus e acabamos optando pelo ônibus que era mais fácil, apareceu logo de cara quando deixamos o terminal. Além disso, era também mais barato. Comprar os tickets também foi bem fácil. Havia um quiosque bem na frente do ponto, a gente comprou (5 euros o ticket) e entrou no ônibus.  Dentro no ônibus, é preciso validar os bilhetes numa caixinha laranja. A via até o centro de Atenas leva aproximadamente uma hora e a gente já pode começar a sentir o calor. Tinha ar condicionado no ônibus, mas, com o sol forte, não era suficiente.

Saltamos na praça Syntagma - a principal da cidade - e eu sabia que o hotel não estava muito longe. Eu tinha uma foto do mapa no meu celular e um mapinha gratuito que tínhamos pegado no aeroporto. Mesmo assim, precisávamos de um tempo para nos localizarmos, afinal era uma praça e a gente tinha que descobrir de que lado estava a rua que deveríamos entrar. Mas, antes que a gente pudesse pensar direito, um velhinho se aproximou e começou a conversar com o Dani, ficou feliz que eramos do Brasil, a irmã dele morava lá. Explicou pra gente pra onde deveríamos ir e elogiou o meu inglês, disse que era difícil ver brasileiro falar bem inglês. Eu teria ficado lisonjeada se não tivéssemos trocado apenas meia dúzia de palavras, sendo a maioria delas tentativas minhas de dizer o nome grego do hotel e da rua. Enfim, talvez o meu "hello" e o meu "thank you" estejam muito bons!

A rua que ele nos mandou seguir toda a vida era a Ermou. A Ermou é uma das principais ruas do centro de Atenas, porque ela conecta a praça Syntagma a praça Monastiraki, de onde se chega a Acrópole. É uma rua grande cheia de lojas, caras e baratas, e estava completamente lotada de gente, estilo uruguaiana. E a gente passando no meio de tudo com nossas malas. Já tinha dado pra perceber o quão caótico era o trânsito de Atenas. Tudo bem que os carros não estejam nem aí pra você, que, com o sinal fechado, coloquem o carro quase em cima de você para, passado o último pedestre, possa logo avançar. O pior mesmo eram os motoqueiros, estão por toda a parte e não tem lugar ruim pra eles, passam em todo o canto normalmente, rua, calçada, rua de pedestres, uma loucura. 

A nossa rua era uma estreitinha, paralela a Ermou. A gente já estava meio perdido naquela bagunça e resolveu sair da Ermou pra seguir por um caminho menos confuso. Acontece que, se a Ermou era uma multidão sem nenhuma organização, nas ruas imediatamente ao lado, parecia que você seria assaltado a qualquer minuto. Ruelas estreitas, pichadas, mal cuidadas, cheias de sobrados, com lojinhas de bugigangas das mais esquisitas, além das motos roncando o tempo todo pra todos os lados. Tudo isso junto com um calor insuportável me pareceu muito familiar, eu me senti no centro do Rio. 

E depois de umas voltas a toa, finalmente achamos a rua do hotel, igualmente horrorosa e assustadora. Na verdade, quando estava procurando hotel para ficar em Atenas,  percebi que as reclamações sobre a vizinhança dos hotéis eram muito frequentes. Aí descobri o porque: o centro turístico de Atenas é circundado por uma parte muito, muito feia. Assustadora. Você não tem como ficar bem localizado e fugir dessa região, a não ser que se hospede dentro de Plaka (o bairro vedete), o que vai custar bem mais caro. Mas, com o passar dos dias, percebemos que a vizinhança era meio de assustar, mas não chegava a ser, de  fato, perigosa. Não que eu fosse sair por ali exibindo euros ou uma máquina fotográfica gigante, mas acho que quem mora no Rio conhece perigos muito mais reais. 

O hotel em si também não era lá essas coisas. Posso dizer que, se não foi o pior que já ficamos, foi pelo menos o mais feio. Um prédio bem antigo, parecendo mesmo um sobrado. Tudo muito velho e muito básico. Parecia uma pousada barata na região dos Lagos. Nossas janelas davam pra um muro, ou seja, não tínhamos nenhuma vista. O banheiro não tinha cortina separando o chuveiro e nem cortina na janela que era enorme (como a vista era um muro, não chegava a ser um problema de fato, mas que era estranho, era). Parecia um dos quartos que a minha avó costumava alugar na casa dela no subúrbio do Rio. Além disso, o ar condicionado não conseguia gelar o quarto e o calor era grande. Pelo menos, estava limpo e isso já era uma grande coisa. Comecei a achar que as pessoas que avaliaram o hotel no Booking não podiam estar falando do mesmo hotel. Mas a gente não ia morrer e nem estragar a viagem por isso, estávamos num hotel simples, mas limpo, barato e bem localizado. E, afinal, o que a gente queria mesmo era curtir a viagem.

Então, deixamos nossas coisas e fomos rapidinho procurar o que fazer. Estávamos animados e famintos. Assim que avistamos a Acrópole (o que não era difícil, pois ela fica lá no alto e pode ser vista de longe), foi mais fácil nos localizarmos. Como já estava no fim da  tarde, a  gente resolveu deixar a Acrópole pro dia seguinte e dedicar o dia a ela. No primeiro dia, demos um passeio pelo Flea Market de Atena, muito conhecido, e fomos ao Museu da Acrópole. Embora ele esteja localizado do lado da Acrópole e seja teoricamente fácil de achar, a gente acabou pegando o caminho mais longo e circundou toda a Acrópole até encontrá-lo.A entrada do museu tinha o chão todo de vidro e, embaixo do vidro, muitas ruínas escavadas. Aliás, como se sabe, o que não falta em Atenas são ruínas. Por toda a parte a gente vê ruínas, às vezes, com arqueólogos trabalhando. Inclusive, parece que a construção do metrô de Atenas foi muito difícil por isso. Em todo lugar que esburacavam, havia ruínas.








Mas, voltando ao museu. O museu é interessante, mas acho que talvez eu tenha visto mais exemplares da Acrópole expostos em outros museus do que no próprio museu de Atenas. Uma pena. Mas valeu a pena para começarmos a entrar no clima. Ah, e é nesse museu onde estão as cariátides, as "mulheres-pilastra" que seguravam um dos templos da acrópole - o templo de Erecteion, do lado do Partenon. As que estão no templo atualmente são replicas. Outra coisa legal foi ver algumas estátuas representadas em suas cores naturais. Na verdade, elas não foram criadas todas brancas como estamos acostumados a ver, mas em muitas cores e bem vivas.



Depois do museu, fomos finalmente procurar um lugar pra comer. Existem muitos, mas muitos restaurantes em volta da Acrópole e nas ruelas adjacentes. Opção é o que não falta. E a parte chata é que os garçons te abordam, mesmo que você nem bata o olho no menu. Acabamos parando em um barato e ao lado de umas ruínas. Comi finalmente a famosa sala grega, simples e deliciosa - alface, cebola, tomate, pimentão e queijo feta. Talvez seja o azeite ou o queijo feta que façam a diferença, não sei. Sei  que adorei. Aproveitei pra provar também mais um vinho grego. O Dani pediu uma cerveja grega, uma das mais conhecidinhas - a Mythos, e gostou bastante também. Comemos muito bem, bebemos e o que pagamos não compraria dois sanduíches no Migros em Zürich. Tivemos ainda a companhia de um gato bem simpático que no final ainda ganhou umas sardinhas do Dani. Aliás, o que não faltam em Atenas são gatos passeando pelas ruas. 




Na volta para o hotel, passamos pela praça Monastiraki mais uma vez. Já era noite, a praça estava lotada de gente e toda iluminada. A agitação do centro turístico não tinha diminuído em nada, muito pelo contrário. E, lá em cima, o Partenon, também iluminado, completava o visual. Pra mim, aquele era, definitivamente, o ponto mais charmoso de Atenas. 



E logo depois do que chamei o ponto mais charmoso de Atenas, seguimos pela rua Atinas, uma rua bem feiosa, para tentamos procurar um mercado por perto, pois o hotel não tinha café da manhã. Mas já era tarde e o único que encontramos - um Carrefour express bem pequeno - já estava fechado. Aliás, esse é um ponto negativo de Atenas: apesar da cidade ser muito barata, principalmente pra quem está acostumado com Zürich, a gente não conseguia nunca achar um mercadinho aberto na parte turística. Acabávamos tendo que comer sempre na rua e o barato saía caro. Nesse dia, compramos apenas uma garrafa d'água e uma de suco em uma das muitas barraquinhas xexelentas de quinquilharia, que continuava aberta depois das dez.

Assim, sem café da manhã, acordamos no dia seguinte e fomos comer algo numa lanchonetezinha a poucos minutos do hotel. Pedi uma espécie de folheado de queijo feta (estava adorando esse esbanjamento de queijo feta) e arrisquei experimentar também o tal do café grego. Levamos tudo pro hotel e comemos por lá mesmo. O folheado era enorme e delicioso, com certeza, me daria energia por um bom tempo. Já o café... o café era normalzinho no início, mas na última parte é puro pó. Não sei se eles preparam simplesmente sem filtro ou se é alguma outra técnica. Sei que pra mim foi bem esquisito e não consegui beber até o final.

Quando finalmente saímos para o esperado dia de conhecer a Acrópole, ainda era cedo, pouco mais de nove da manhã. O ingresso pra Acrópole custava doze euros e servia pra todas as atrações, que eram muitas e muito além do Partenon: Ágora de Atenas, Biblioteca de Adriano,  Teatro de Dionísio, Kerameikos, o Templo de Zeus Olímpio e a Ágora Romana. Além disso, o ingresso tinha validade de quatro dias, então, era possível fazer tudo com a maior calma. Na verdade, um ingresso eram vários mini-ingressos destacáveis - um pra cada atração. A  cada atração, a gente tinha que deixar um dos mini-ingressos com um fiscal na entrada. 

A gente pegou um lado aleatório do morro da Acrópole e acabou começando nosso passeio pelo Teatro de Dionísio, que é nada mais, nada menos, do que o o berço do teatro ocidental. Ali eram encenadas as famosas tragédias gregas e pensar nisso era, de certa forma, emocionante. Os assentos na platéia eram feitos de pedra e a gente podia distinguir assentos diferenciados, como tronos, que, imagino eu, tivessem reservados para as figuras mais importantes. A gente sentou por alguns instantes e ficou tentando imaginar como era naquela época.








De lá, subimos para a próxima atração, a mais popular de todas, o Partenon. Antes da entrada ao Partenon, passamos do lado de um outro teatro enorme e magnífico, que, por sinal, é palco de shows até hoje - o Odeon de Herodes Ático. Até o caetano andou tocando por lá. Fico imaginando que experiência ímpar tocar num teatro daqueles, construído há quase dois mil anos. Infelizmente, a gente não podia entrar nesse teatro e seguiu para o Partenon.






A subida pro Partenon era disputadíssima. Havia uma escadaria que levava a enorme entrada - a Propylaea  (que, por si só, já era espetacular) - e estava absolutamente cheia de gente. Parecia carnaval no Rio, a gente tinha que se espremer no meio de todo mundo e tomar cuidado pra não escorregar no mármore. tive a impressão de nunca ter visto tantos turistas antes em nenhum outro lugar que visitamos. Lógico que isso pode ser explicado por ser época de verão e férias. Outra explicação é o fato de o Partenon ser a principal atração turística de Atenas disparado. Em outras cidades, as atrações ficam mais espalhadas, não fica todo mundo concentrado no mesmo lugar. De qualquer forma, foi impressionante a quantidade de gente. E impressionante a quantidade de brasileiros. Acho que só não barravam os japoneses e americanos. Aliás, vi mais americanos ali do que nunca.








Mas quando finalmente chegamos lá em cima, o espaço era bem amplo e as pessoas se espalhavam. Ficamos chocados com a grandiosidade daqueles templos. Se eu já tinha ficado maravilhada vendo os templos dentro do Pergamon Museum em Berlim, imagina vê-los agora em sua situação original. E como eram imensos. Além do Partenon, havia ali o Templo da Deusa Atena Nike e o Erechtheion (aquele das cariátides).

A gente tinha que tomar cuidado com os pedaços escorregadios de mármore. O Partenon, pra variar, estava cheio de andaimes em volta, sempre em reforma. O Dani ficou muito aborrecido, não conseguia entender porque nas filmagens pro Discovery Channel, está sempre tudo tão perfeito e sem obras. Deve ser photoshop. De qualquer forma, estávamos tão surpreendidos com tudo ali que cada um ficou com a sua máquina fotográfica, registrando suas próprias impressões. Além das nossas próprias fotos, ainda tiramos um monte de fotos seguidas de outras pessoas. A gente devia estar com a maior cara de simpático, porque todo mundo vinha pedir. 














Não só os templos ali eram impressionantes, mas também a vista pra cidade era única. Dava pra ver toda a cidade e também uma parte do mar egeu. E como Atenas parecia enorme! Enorme e muito peculiar. A cidade parecia não ter muitos prédios altos e modernos, mas muitas casas e prédios menores, todos mais ou menos da mesma cor - meio brancacenta, e seguiam com uma aparente desorganização até o início dos inúmeros morros ao redor. Os tais morros não tinham aquela vegetação super densa que a gente está  a acostumado a ver, parecia tudo meio árido, desértico. Me senti olhando pra uma daquelas cidades do oriente médio. E, claro, com esse cenário, não podia ser diferente: Atenas é muito quente, muito quente. Olha que a gente está acostumado, mas o calor realmente parece ser diferente. A temperatura não era tão alta como no Rio, por exemplo, mas a sensação térmica era insuportável. Perdi as contas de quantos litros de água a gente bebia por dia sem praticamente ir ao banheiro. E era desesperador quando a garrafinha começava a esvaziar. Em alguns pontos da Acrópole, a gente até encontrava bebedouros, mas, na maioria das vezes, a água era quente. Muitos restaurantes com mesas na calçada, inclusive, instalavam jatos de  vapor dágua para que as pessoas pudessem comer mais confortavelmente. E o pessoal que passava na rua, aproveitava e tirava uma casquinha. Uma coisa muito legal foi ver que o preço da água é muito justo e praticamente não muda, seja em restaurantes mais arrumados ou em barraquinhas de rua - variava entre 35 e 50 centavos a garrafinha de 500ml. A gente teria ido a falência comprando água se fossem ao mesmo preço que costumamos ver em outros lugares.




Depois de deslumbrados, escandalizados e até bronzeados, fomos descendo do Parthenon ao Templo de Hefesto. Era um daqueles típicos templos gregos, mas ultra bem conservado, mais até do que o Partenon na nossa leiga opinião, mantendo inclusive o teto. 







A essa altura, o cansaço já começava a bater. Não porque tivéssemos feito tanto esforço assim, mas o calor era arrasador. Para fechar nosso tour antes do almoço, visitamos ainda a Antiga Ágora, que era a região de convívio social na Grécia Antiga. Dentro dessa região, havia também uma construção linda - a Stoa of Attalos. Na verdade, o verdadeiro prédio foi construído um pouco antes de Cristo, mas foi destruída algumas centenas de anos depois. O que vemos hoje é a reconstrução do prédio original, que foi feita no século passado. 








Depois dali, paramos para comer em mais um restaurante ali em volta da Acrópole e pra descansar um pouco do calor. Os garçons sempre perguntavam da onde éramos e, em época de mundial, vem sempre aquele papo de futebol e o nosso sorriso amarelo. Sentamos a mesa e havia brasileiros pra tudo que é lado. O legal de quase todos os restaurantes que fomos é que sempre tem um pãozinho de entrada com aquele azeite delicioso. O ruim disso é que quando chega a comida mesmo já estou completamente satisfeita. Nesse restaurante, aproveitei e experimentei o imperdível iogurte com mel grego e posso dizer que é realmente imperdível. No calor que fazia,caiu super bem. Aliás, talvez pelo calor, notei que nos restaurantes era muito comum também as pessoas comerem melancia cortada de sobremesa. 




Apesar do calor insuportável, tínhamos que seguir. A próxima visita era à biblioteca de Adriano, que era bem pertinho do restaurante. Essa biblioteca servia mais como um centro cultural naquela época e chama muito a atenção por conservar uma parte de um muro e algumas pilastras bem grandes.  







Dali, seguiríamos para dois pontos um pouco mais distantes do burburinho principal da Acrópole - o Arco do Adriano e o Templo de Zeus Olímpico. Chegamos até lá com uma caminhada de uns quinze minutos, passando pela praça Syntagma. Na verdade, é bem possível que houvesse um caminho mais curto por dentro de Plaka, mas todas aquelas ruelas estreitas e iguais em torno da Acrópole pareciam  um labirinto pra mim.

Me arrisco a dizer que o Templo de Zeus Olímpico foi o meu preferido da Acrópole. Esse templo era algo impressionante, com pilastras colossais no meio da cidade, me pareceu inclusive maior do que  o próprio Partenon. Uma das pilastras estava derrubada no chão e era possível ver como elas eram construídas: vários círculos um cima do outro. Esse templo costumava ter mais de cem pilastras! Atualmente, com 'apenas' quinze, já é bastante surpreendente. Logo ali do lado, está o Arco de Adriano, separando a antiga Atenas com a Atenas romana. 





Não longe dali, estava localizado o Estádio Panatenaico. A gente tinha acabado de sair de uma região repleta de ruínas e ruazinhas e, em alguns minutos de caminhada, chegamos na Av. das Américas. Sim, de repente, atravessamos uma avenida super  movimentada e não muito amigável para pedestres, apesar de ter sinalização. O tal estádio estava logo do outro lado da rua e a sua entrada não estava incluída no ticket da Acrópole - custava cinco euros com direito a audioguide. Esse estádio foi construído antes de Cristo para  sediar os jogos panatenaicos que eram parte das festividades em homenagem a deusa Atena. No período romano, depois de totalmente reformado (com assentos de mármore) e aumentado, o estádio começou a ser usado para lutas de gladiadores. Depois de entrar em decadência, o estádio foi reformado para a primeira edição dos jogos olímpicos modernos em Atenas.

Na platéia, a gente também consegue diferenciar os assentos especiais para os cidadãos mais importantes. A visita também inclui a entrada numa espécie de caverna sinistro, por onde passavam os gladiadores em direção a uma luta, sem saber se voltariam vivos, mortos, inteiros ou em pedaços. A caverna leva em direção a uma sala onde se encontram quadros com logotipos de  todos os jogos olímpicos modernos e a tocha olímpica. Mas eu andava por ali e só conseguia pensar nos gladiadores lutando e as pessoas aplaudindo. Gostei muito de conhecer esse lugar e fiquei me perguntando porque aquele estádio  (e também o Templo de  Zeus) estava tão vazio, quase sem turistas. Acho que algumas pessoas passam em Atenas apenas como uma base para conhecer as ilhas e acabam perdendo incríveis atrações na cidade. Mas cada um com seu roteiro...









Falando em roteiro, saímos dali e, fora de qualquer roteiro que eu tivesse concebido, paramos num restaurante para assistir ao jogo do Brasil. Não fazia parte dos planos, mas acabou sendo uma boa pedida, porque precisávamos realmente descansar e, afinal, o dia já estava terminando. Sentamos num restaurante bem arrumadinho em uma das ruazinhas de Plaka. Dessa vez, provamos a pastinha grega famosa Tzatziki, feita de iogurte, alho, pepino e hortelã. Delícia. O jogo do Brasil foi para a prorrogação e, entediados, fomos embora. 

Saindo dali, entramos em uma saga em busca de mercado. Pegamos a Atinas mais uma vez até a Praça Omonia e nada. O Carrefour express estava novamente fechado. Felizmente, em uma das ruas transversais, achamos um mercado oriental e conseguimos comprar umas coisinhas pro café da manhã. Do lado do mercado, um boteco, bem no estilo brasileiro, reunia uma penca de homens assistindo o final do jogo do Brasil, que a essa altura estava indo a penaltis. O Dani não resistiu e quis parar para assistir. Pela primeira vez na copa, vi pessoas se manifestando e esbravejando por causa de jogos. Em Zürich, não se ouve um pio. 

Na manhã seguinte, resolvemos subir o morro Pilopappos, bem do lado do morro da Acrópole. Embora relativamente alto, não era nada difícil de subir e o caminho é bem bonito, não parecia que estávamos no meio da cidade. A paisagem diferente também é interessante, muito seca, cheia de pedras e árvores pequenas. Chegamos lá em cima e era muito mais alto do que parecia, mais uma bela visão de Atenas e do mar Egeu. De um lado, havia um monumento e do outro um caminho que levaria a 'pontinha' do morro. Fomos primeiro a pontinha e ficamos ali sentados um tempo admirando o visual. O monumento de Pilopappos é bem bonito, mas, mais bonito que ele, é a vista para o Partenon que se tem dali. 







O próximo ponto seria a Academia de Atenas, que ficava um pouco depois da Praça Omonia. Novamente, desconfio que houvesse um caminho mais curto por Plaka, mas optei pelo mais certo. Aliás, perdi as contas de quantas vezes cruzamos a Atinas até a Praça Omonia e a Ermou até Praça Syntagma. E quantas vezes nos perdemos no 'labirinto' de Plaka. Eu já começava a me entender bem naquela meiuca da ciade. 

O prédio da Academia de Atenas é lindíssimo, com dois pilares na frente - em um deles, a imagem de Atena e, no outro, de Apolo. Na frente dos pilares, duas estátuas de mármore, uma de cada lado, representando Sócrates e Platão sentados em uma cadeira (pra mim, pareciam ser a mesma pessoa, mas o Dani falou que o Sócrates na vida real era bem mais feio). O frontão é decorado com uma escultura que representam o nascimento de Atenas. Vale lembrar que esse prédio é super moderno se comparado ao que a gente vê em Atenas - foi construído no século 19. Bem, a visita foi apenas a parte externa, mas valeu.






Nesse dia, mudamos um pouco nossa rotina de viagens. Depois do almoço, estávamos nos sentindo muito mal por causa do calor e resolvemos dar um pulo no hotel para renovarmos as baterias - tomar um banho, trocar de roupa e, de quebra, ficar um pouquinho no ar. Sorte nossa que o hotel era tão perto. Parece piada que dois cariocas sofram assim, mas (já sendo chata em voltar toda hora ao mesmo assunto) Atenas é muito quente! Eu estava adorando tudo, mas não via a hora de chegar em Santorini para dar um mergulho. A  gente não parava de suar e sentir sede um segundo. Eu nem tinha chegado na praia propriamente e já estava preta, mesmo usando protetor solar todos os dias. E o início da tarde era a pior parte, com certeza. Aconteceu que nossa decisão foi um acerto, estávamos com muito mais energia depois da pausa. Além disso, em pleno verão, o sol dura até tarde e a cidade continua cheia.

Assim, na segunda parte do dia, resolvemos subir o pico mais alto de Atenas para ver a vista da cidade lá em cima - o morro Lykavittos. Esse morro podia ser visto de todo lugar, com uma igrejinha branca lá em cima. No caminho, pegamos umas ruazinhas menores até chegarmos ao início da subida. Uma coisa interessante foi notar que as ruas por ali estavam cheias de árvores carregadas de tangerinas. O ar tinha um cheirinho de tangerina. 




Passamos por uma área agradável e residencial e chegamos ao que parecia ser o início da subida. Da onde a gente começou, a trilha era bastante discreta, meio que no meio do mapa. Eu fiquei um pouco receosa, porque logo no início a nossa água já tinha acabado e não sabíamos qual a dificuldade da subida e nem se teria qualquer infra-estrutura lá em cima. Por causa disso, quase desisti, mas continuei. Na verdade, a subida era bem menos amena do que parecia, sem cansaço nenhum, apenas muita sede. Minha maior motivação de chegar lá em cima era a esperança de ter um bebedouro. Como não encontramos ninguém subindo a trilha, já achei que lá em cima fosse ser bastante ermo. 

Quando finalmente chegamos, vimos que o pico tinha uma excelente estrutura e, claro, era cheio de turistas, um dos lugares mais disputados para assistir ao pôr-do-sol. E a razão para a trilha vazia era o cable-car que fazia o caminho por um preço bem camarada. Lá em cima também tinham dois restaurantes bem bonitos (e, pasmem, preços bem acessíveis) e uma linda igrejinha toda branca. A primeira coisa que me chamou a atenção foi um cara muito gordo e super queimado de  sol esparramado no chão, no meio do caminho, ao lado de um maravilhoso isopor! Matamos nossa sede de cara. 

E depois dos incríveis visuais da Acrópole e do Pilopappos, a vista do Lykavittos foi sem dúvida a nossa vencedora! Não podia ser diferente, é o morro mais alto, o que garante uma Atenas de ponta a ponta, incluindo, na mesma foto, o Partenon, o Templo de Zeus Olímpico e o estádio Panatenaico. Ficamos lá por quase uma hora, olhando o visual e observando os turistas, tentando adivinhar da onde eram. Mas não ficamos até o pôr-do-sol, porque ainda demoraria pelo menos mais mais umas duas horas. 






Hidratados e descansados, resolvemos descer a pé mesmo e fomos em direção a Plaka. No caminho, resolvemos parar em uma das igrejinhas (a maioria é bem pequenininha mesmo). As igrejas que tínhamos visto até então eram todas com um estilo muito parecido. O Dani acha que eram da igreja ortodóxica grega. Nesse tipo de igreja, as pinturas internas não retratam todo mundo sofrendo e sangrando. Pelo contrário, as imagens estão sempre com um ar sereno e feliz. Eram igrejas simples e bonitas.







Visitamos o que achávamos ser o último ponto da Acrópole para visitar - a Ágora Romana. Na verdade, a gente estava meio perdido com as atrações, sobrava um ticket na nossa cartelinha, mas não sabíamos exatamente o que faltava visitar. Como eu falei, é meio confuso andar em volta da Acrópole e, do lado de fora, muitas das ruínas cercadas pareciam iguais. Algumas não  fazem parte do 'complexo' da Acrópole, mas estão no caminho e acabam confundindo. Achávamos que, talvez, tivéssemos entrado sem querer em alguma das atrações sem mostrar  os tickets, já que no morro da acrópole, as entradas e saídas às vezes se confundem. Mas a Ágora de Roma com certeza não tínhamos visitado. E o que ela tinha de especial era uma torre de ventos com um relógio de água.  









Dali fomos direto procurar um lugar pra comer e acabamos parando num restaurante com um telão onde transmitiriam o jogo... da Grécia! A  gente ficou até curioso e quis dividir esse momento com os gregos. Antes do jogo começar, o bar começou a encher, as cadeiras todas se viraram pra tela e o garçom começou a andar enrolado na bandeira grega, e assim ele ia atendendo as pessoas. Na hora do hino, eles cantaram com a mão no peito muito fervorosos. E continuaram fervorosos ao longo da partida, gritavam, colocavam a mão na cabeça, discutiam os lances com o garçom e tudo que um bom torcedor tem direito numa mesa de bar. Em dado momento, tinham até uns policiais ali parados do nosso lado assistindo o jogo. A gente não ficou até o final, já era quase meia-noite. Depois soubemos, a Grécia foi eliminada da Copa.








No dia seguinte, precisamos ir até o porto de Piraeus, um pouco distante do centro, para retirar as passagens do barco. Pegamos o metrô pela primeira vez na estação da praça Monastiraki. Compramos logo o bilhete de 24 horas, pois saía bem mais barato, considerando que teríamos que estar por lá na manhã seguinte bem cedo para pegar o barco para Santorini. Foi muito fácil chegar ao porto, não precisamos fazer baldeação e só saltamos no ponto final. 

Bem, se ali perto do centro histórico Atenas já tinha umas ruazinhas meio feias, o que se diria da zona portuária? Sim, era bem esquisita também e sem nenhum apelo. Tivemos que ir a dois guichês diferentes retirar as passagens, pois a ida e a volta seriam por companhias diferentes. Conseguimos achar bem fácil os dois lugares e voltamos logo para o centro. 

Fomos até a Praça Syntagma para tentar ver a troca de guarda no túmulo do soldado desconhecido, que fica em frente ao parlamento grego. O túmulo  é protegido por guardas, chamados Evzones, num traje bem diferente do usual (provavelmente para os gregos, é completamente usual): um kilt, um chapéu com uma espécie de cabelo comprido e tamancos vermelhos com pompons em cima. Na verdade, a gente foi até lá com a intenção de visitar a praça com calma (já havíamos passado por ali inúmeras vezes, mas ainda não tínhamos parado), fotografar o parlamento e ver o túmulo. Acaba os chegando bem na hora da cerimônia de troca e foi bem interessante. Primeiro porque os guardinhas fazem uma verdadeira coreografia em câmera lenta, chutando o ar lá na frente e voltando com o pé lá para trás. Segundo porque depois que eles param nas suas posições, um superior se aproxima e começa a mexer neles, nos cabelos falsos, no chapéu, falar coisas em tom de deboche (lógico que isso é suposição, a gente não entendeu nadica). Não parecia ser com intenção  vexatória, parecia ser mais como uma brincadeira para descontrair (isso também é suposição). Bem, eu nunca tinha visto uma troca de guarda antes, nunca me interesso muito por parar tudo que estou fazendo para isso, então, não sei dizer se todas são assim. De qualquer forma, foi divertido assistir.









Saímos de lá logo depois e passeamos pelas ruas de Plaka mais uma vez. Paramos em uma lanchonete e eu finalmente provei o tal do café gelado - o quente era impossível. Não gostei muito, me pareceu meio aguado. Mas os gregos adoram, andam sempre com um copinho pra lá e pra cá. E como não tínhamos nenhum plano para aquela última tarde em Atenas, nos lembramos que ainda tínhamos um ticket na nossa cartelinha da Acrópole e resolvemos tentar ir até o Partenon novamente. Nossa ideia não foi bem sucedida porque chegamos na recepção e descobrimos que não se podia visitar duas vezes o mesmo local e que o Partenon era a única atração que tinha um ticket diferente. A  gente soube então que, na verdade, não tinha ticket nenhum sobrando, mas sim uma atração pendente - o kerameikos, onde se localizava um antigo cemitério e onde convergiam antigamente as principais estradas de Atenas. O lugar é bem bonito, com uns jardins amplos e várias esculturas ornamentando o cemitério. 














Depois disso, fechamos nossa visita a acrópole e restavam poucas horas para o fim do dia e da nossa estadia em Atenas. Tomamos um sorvete, passeamos por Plaka e fomos até um morro pequeno, bem do lado do morro do Partenon, assistir ao lindo por do sol. Foi um ótimo final para uma viagem incrível e cheia de novidades. 







Nesse dia, não voltamos tarde, porque ainda tínhamos que arrumar nossas coisas e acordar bem cedo no dia seguinte. Tomamos um vinho grego e fomos dormir. Agora, estávamos ansiosos por Santorini.