Seria o meu aniversário no sábado e eu pensei que seria uma ideia muito boa fazer algo diferente, fugir um pouco da rotina, já que pela primeira vez eu estaria longe da minha família e amigos. Decidimos ir a Montreux porque a Bianca estaria por aqui nessa época e tinha programado o fim de semana lá. Era uma cidade que eu tinha muita vontade de conhecer, então, por que não aproveitar a companhia e ter um dia especial? A ideia era ficar sábado em Montreux e domingo em Genebra, já que as duas cidades são próximas uma da outra, mas não tão próximas de Zürich, ou seja, o melhor era juntar num mesmo passeio. Eu e Dani nos hospedaríamos em Genebra e a Bianca ficaria em um hostel em Montreux mesmo, pois já estava reservado há um certo tempo.
Como a minha palavra de ordem é economia (ou a gente não consegue viajar tanto), fui atrás do supersaver ticket, o que significa, muitas vezes, pagar metade do preço da passagem e, melhor, não precisa ser com antecedência maior do que dois ou três dias. Normalmente, até umas 48 horas antes da viagem é quase certo de conseguir as tais passagens baratas. O problema é que nem sempre se consegue os melhores horários e as melhores rotas. Mas não se pode ter tudo afinal. Assim, acordamos às quatro da manhã para pegarmos o trem das seis. Para completar, teríamos três paradas antes de Montreux, ou seja, mais um estresse pra mim, porque é comum o tempo para troca de trem ser curto. Mas nada disso abalou a nossa animação.
Assim que chegamos, a Bianca foi ao hostel deixar a bagagem (ela trazia uma mala grande, porque só voltaria a Zürich no dia 10 de julho) e combinamos de nos encontrar no Chateou de Chillon, o castelo na beira do lago em Montreux. Eu e Dani resolvemos ir caminhando pelo lago até chegar lá, uma caminhada de uns 40 minutos, que parecia longa, mas passou muito rápido, de tão lindo e agradável que era o passeio. A paisagem parecia coisa de filme e a calmaria era inacreditável. Andamos no meio de flores com a vista do lago e das montanhas de um lado e de lindas casas de outro. Conversamos sobre como seria fácil morar ali, pelo menos para nós. Chegamos no castelo e ficamos esperando pela Bianca. Sentamos na beira do lago, perto da água e ficamos apenas olhando a paisagem. O Dani gostou tanto que quando a Bianca chegou, ele preferiu ficar do lado de fora, enquanto passeávamos pelo castelo.
Entrei no castelo com a Bianca então. A essa altura, os turistas já tinham chegado e havia alguns grupos lá dentro. Tentamos pegar o percurso antes dele, para que pudéssemos aproveitar bem. O chateou era realmente bem interessante, como todo o castelo. Era simples, mas estava muito bem conservado. Além disso, o guia que te dão na entrada tem tudo muito explicadinho e o local é todo sinalizado para que você saiba aonde deve ir. Valeu muito a pena. Ficamos mais ou menos uma hora lá dentro.
Voltamos para o centro novamente pelo lago, que agora já estava mais cheio. As pessoas se aconchegavam nas pedras para ler ou tomar sol, algumas crianças brincavam na água e vimos até cachorros nadando.
De volta a parte mais central, descobrimos a estátua do Freddie Mercury escondida atrás de um palco que estava montado. Nas fotos que eu havia visto, a estatua ficava isolada perto de um pier e podia ser fotografada junto com toda a linda paisagem de Montreux. Mas, dessa vez, por causa do palco, a gente não pode ter esse visual. Tiramos fotos com o Freddie e a parte de trás do palco de fundo.
E, no palco, uma coisa que eu nunca poderia esperar assistir, um campeonato de cortar lenha. Para completar, o público, com gente de todas as idades, parecia excitadíssimo. Pelo que entendi, a ideia era cortar uma "fatia" de um tronco de árvore no menor tempo possível, utilizando um serrote. Os competidores, é claro, usavam blusas xadrez, estilo lenhador mesmo.
Aproveitamos o evento e paramos para comer em uma das barraquinhas de comida. Depois, fomos descobrir como ir a Vevey, a cidade vizinha famosa por ser a sede da Nestllè. Eu não vi maquininhas para comprar passagens na rua e fui informada que a passagem deveria ser comprada dentro do ônibus mesmo. Entrei e estiquei a mão com as moedas para o motorista, mas ele me apontou a maquininha no fim do ônibus. Fui até lá e encontrei uma maquininha parecida com a que temos em Zürich. Logicamente eu precisei perguntar pelas zonas, porque não sabia por quantas zonas passaríamos. Mas o resto foi fácil. E eu até gostei da ideia de ter a máquina dentro do ônibus - ninguém precisa perder o tram ou o ônibus pra comprar passagem do lado de fora e, além disso, caso a pessoa esqueça de comprar (como já aconteceu comigo e tive que descer no meio do caminho para comprar), pode comprar ali mesmo (mas tem que lembrar o mais rápido possível, porque se aparece um fiscal, não adianta dizer que esqueceu e que vai ali atrás na maquininha comprar).
Chegamos em Vevey e logo achamos o caminho do lago onde estava o museu alimentício e o famoso garfo gigante dentro d'água. Bem nessa altura, está também a estátua do Charlie Chaplin, ilustre morador da cidade. Na hora que chegamos, estava um tumulto de turistas tão grande que foi difícil até fotografar o garfo. Mas eles logo se dispersaram e ficou tudo uma paz. A vista do lago é linda, assim como em Montreux. E, para que as pessoas possam admirá-la, algumas cadeiras foram colocadas no meio das pedras. A Bianca quis entrar no museu bem ali em frente e eu e Dani ficamos mais de uma hora sentados nas pedras com os pés na água. Uma tranquilidade tão grande que deu até pena de ter que ir embora. Mas não tinha outro jeito. O trem pra Genebra sairia um pouco antes da seis e queríamos estar com uma certa antecedência em Montreux para não haver riscos.
Chegamos com uma certa folga de volta a Montreux e ainda pudemos dar outro passeio curto pela beira do lago. Já começamos a ver os preparativos pro famoso festival de jazz que acontece sempre em julho. Compramos um café e um sanduíche no coop e seguimos com o trem pra Genebra. A viagem duraria uma hora, dessa vez sem paradas.
Chegar ao hotel da estação principal de Genebra era bem fácil, uma caminhada de menos de dez minutos. A rua do Hotel assustava um pouco, era como a Langstrasse em Zürich, mas acho que um pouco pior. Ficava cheia de homens em grupos com olhar intimidador. Já havia lido essa crítica antes de reservar o hotel, mas imaginei que valia a pena reservar um hotel bom, barato e perto de tudo em Genebra. Até porque eu não esperava que uma rua na Suíça fosse ser realmente tão ameaçadora. Talvez à noite fosse pior, mas a gente ficaria apenas até o dia seguinte e não tínhamos planos de voltar muito tarde.
O hotel era bom e demos sorte de conseguirmos uma promoção, pois hotéis na Suíça são sempre muito caros e, por essa razão, normalmente preferimos fazer viagens de um dia só, quando não precisamos nos hospedar em lugar nenhum, é só voltar pra casa no fim do dia. Mas dessa vez demos sorte. O hotel estava longe de ser barato, mas estava dentro dos padrões de cidades fora da Suíça. Além disso, descobrimos que tanto Genebra quanto Montreux tem uma coisa muito legal que é oferecer um cartão ao turista que dá gratuidade no transporte público da cidade, o que foi muito interessante para nós, já que as passagens na Suíça não são das mais baratas.
Naquele restinho de dia, que acabava sendo bastante, já que temos sol até às 22h, aproveitamos para dar um passeio pela cidade. Caminhamos a beira do lago, até chegar no famoso chafariz, o Jet d'Eau, que inclusive podia ser visto de bem longe, não precisamos nem procurá-lo. O chafariz ficava no meio do lago, mas era possível chegar bem pertinho andando por um pier, bem estreito por sinal. Tiramos algumas fotos e voltamos caminhando. Na beira do lago também, um pouco mais a frente, estava o famoso relógio de flores, bem bonitinho.
Uma coisa muito bacana foi descobrir que havia pianos espalhados por vários pontos da cidade e estavam prontos para serem tocados por quem quisesse. Esses pianos fazem parte de um projeto artístico chamado 'Street Pianos' e era realmente encantador andar pela cidade sempre ao som de uma melodia. E não eram poucos os que sentavam aos pianos para um pouco de música. Achei a ideia muito legal.
O clima da cidade estava parecendo mais agradável depois do susto com a rua do nosso hotel. A essa altura, já estava ficando tarde e nós, acordados desde as quatro da manhã, muito cansados. Resolvemos parar para comer alguma coisa e voltar ao Hotel.
Acordamos cedo no dia seguinte, tomamos café no hotel e já fomos passear. Era domingo de manhã e as ruas estavam bastante desertas. Demos uma volta pela cidade velha e parecia uma cidade fantasma, com apenas alguns homens trabalhando na limpeza. Acho que houve algum evento no dia anterior, talvez festa pelo jogo da copa (apesar da derrota da Suíça pra França por 5 a 2). Ah, e claro, também tinham uns japoneses andando por ali. Conseguimos dar uma olhada rápida em quase tudo. O Dani aproveitou e arriscou "fazer um som" no piano bem na frente da Ópera de Genebra.
Não podíamos demorar muito porque precisávamos encontrar a Bianca na estação. Ela chegou às 10 da manhã e da estação pegamos um ônibus direto a sede da ONU. Chegamos rápido. Não tem muita coisa no lugar além da ONU, que fica em frente a uma praça, numa região meio vazia da cidade. Talvez durante a semana o lugar tenha mais movimento. Na tal praça, umas fontes de água que subiam e desciam e uma cadeira gigante com uma das pernas quebradas (propositalmente) - a 'broken chair'. A sede da ONU é aberta a visitação, mas estávamos satisfeitos em vê-la apena do lado de fora, com o jardim e aquele corredor de bandeiras. Afinal, era nosso único dia na cidade e fazia um dia lindíssimo, não queríamos ficar passeando na ONU.
Então voltamos ao centro. Fomos novamente a cidade velha. Dessa vez, parecia outra cidade, cheia de gente passeando, pessoas tocando piano pela rua, sentadas em cafés, uma delícia! O centro históricos de Genebra não tem tantos pontos turísticos para se visitar, é possível visitar tudo bem rapidinho, mas o bom mesmo é curtir o climinha do verão. Assim, demos mais uma volta, vendo um pouquinho de tudo e sentamos em um restaurante, com mesinhas na rua. Comemos uns sanduíches e ficamos ali um pouquinho, conversando, descansando e observando.
Dali, partimos mais uma vez para o lago, repetindo o roteiro que fizemos no dia anterior para que a Bianca visse tudo também. Dessa vez, fizemos com menos pressa, parando para tirar mais fotos e olhar a vista. No dia anterior, estávamos tão cansados que parecíamos estar apenas cumprindo tabela, já que chegamos em Genebra às 7 e o sol só iria embora às 10. Aproveitamos nossos tickets e fizemos uns passeios de barco, apenas cruzando o lago mesmo. Fomos novamente ao chafariz e o vento fez a água se voltar todinha para a plataforma por onde as pessoas passavam. Muitas pessoas passavam completamente molhadas por nós, como se tivessem mergulhado. Seria uma delícia tomar um banho daqueles, porque o calor estava forte, mas estávamos com roupas que não secariam nunca, além dos nossos documentos, celulares, máquinas... nos contentamos em pararmos ali perto e sentir umas gotinhas. Deu pra refrescar um pouco.
Passamos mais uma vez também no relógio de flores, tomamos um sorvete e passeamos mais pelo lago. Voltamos de barco para o outro lado, onde ficava o nosso hotel. Pegamos as malas que ficaram no depósito e já fomos para a estação. Era quase hora de voltar. Sentamos por ali e ficamos conversando sobre como tínhamos gostado daquela parte da Suíça. Realmente, parece um país diferente em muitos aspectos e consegue ser ainda mais diversificada do que Zürich. As pessoas ali parecem ser mais livres, sem tanta preocupação em seguir uma super ultra organização. Zürich é perfeita, tudo funciona, quase todos se comportam. Genebra não pareceu ser bem assim, a gente não se sente 100% seguro, a cidade não é totalmente limpa, a gente vê malucos e bêbados pela rua, além de outros tipos estranhos, com certa frequência. Enfim, para mim, Genebra pareceu ser mais real, pé no chão, do que Zürich. Zürich é uma cidade que você não acredita existir. Mas, na minha opinião, cada uma das duas tem as suas vantagens.














































Luisa adorei o seu blog!! pena que o descobri recentemente rsrs. Lendo esse post me bateu uma saudade muito grande das minhas férias! Quero mais!!
ResponderExcluirAs fotos estão muito lindas e você descreve seus passeios de uma forma muito legal, deveria divulgar mais o seu blog, seria com certeza muito interessante aos que pretendem viajar p Suíça e arredores!
Foi muito bom poder vê-la antes que voltasse ao Brasil e ainda ser super bem recebida, obrigada!
No caso daquele cara no tram, era bêbado, estranho e maluco rsrs
Muitos beijos e, se te serve de consolo, será muito bem recebida quando voltar ao Brasil! rs
Bianca.