quarta-feira, 25 de junho de 2014

Davos

Davos foi a última viagem que fizemos com meus pais aqui. Teve um clima meio de despedida. Eu estava mesmo há um tempão querendo organizar um passeio assim às montanhas. O pessoal da faculdade não me perdoava por não ter ido ainda. É um orgulho grande pra eles aquela paisagem. Então, escolhemos Davos, porque ouvi dizer que além de muito bonita, tinha um vilarejo agradável também, não era apenas um lugar pra hiking e ski. Como a cidade era bem pequena, não precisamos madrugar e acabamos pegando o trem depois das dez da manhã. 

O caminho para Davos já compensou toda a viagem de tão lindo. O trem passava por dentro dos alpes e a gente podia ver as montanhas esverdeadas e floridas. Acho que nada me parece mais suíço do que esse tipo de paisagem. Chegamos lá e descobrimos que bem que poderíamos ter comprado passagens para Davosplatz e não Davosdorf, como havíamos feito. Alguém havia me dito na faculdade que Davosdorf seria a estação mais central, mas não parecia. Talvez na temporada de inverno, mas não tenho certeza. Além disso, era feriado e a cidade estava completamente vazia. Nem o imã da cidade para a minha coleção consegui comprar e tive que me contentar com um adesivo  feio que consegui no serviço de informações na estação de trem. 







De qualquer forma, a cidade não era tão grande e a graça mesmo estava em curtir o visual alpino. Por isso, seguimos pela rua principal até chegarmos num funicular, que nos levaria pro alto de uma das montanhas. Caminhamos bastante lá em cima, fomos até a cachoeira que desce dos alpes e fotografamos vistas espetaculares. Até mesmo minha mãe, que não gosta muito de caminhadas, fez todo o trajeto bem motivada. Voltamos para a cidade a pé mesmo, a descida era demorada, mas bem fácil. Quando nos demos conta, havíamos passado horas passeando pela montanha. Quando chegamos lá em baixo, comemos alguma coisa e caminhamos para a estação. Minha mãe já ficou por lá, mas eu, meu pai e Dani ainda caminhamos um pouco ali por perto, onde havia uma espécie de rio (acredito que artificial), com águas que vinham das montanhas, verdinhas verdinhas.


















Fechamos a estadia dos meus pais com chave de ouro. Eles saíram de lá muito felizes e até com o coração apertado, porque  já no dia seguinte, voltariam ao Brasil.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Konstanz

Konstanz foi uma das primeiras viagens que fiz com meus pais. Ficou faltando eu falar dela lá atrás, mas como o blog já é completamente bagunçado cronologicamente mesmo, resolvi incluí-la aqui totalmente fora  de ordem. 

Fomos só nós três dessa vez, o Dani ficou em casa. Konstanz é uma cidade que fica na Alemanha, na fronteira com a Suíça e é muito visitada pelos suíços que vão até para fazer compras, já que na Suíça as coisas são bem mais caras. Nós fomos com o Meifernbus, porque fica muito mais barato do que o trem e, para lugares tão próximos como Konstanz, a diferença de tempo não é grande. Pegamos o ônibus na Banhofquai, perto da HB. Ficamos na dúvida na hora de saltar, pois, às vezes, existe mais de um ponto dentro da mesma cidade. Notei que o ônibus tinha chegado alguns minutos antes do previsto e resolvi perguntar pra algum outro passageiro. A pessoa disse que sim, Kosntanz era ali mesmo. Bem, no máximo, a gente teria que andar um pouquinho mais.





Olhamos as placas e resolvemos seguir a que indicava a direção do lago, porque eu sabia que era por lá que a maioria das coisas turísticas estavam. Mal chegamos numa rua mais movimentada e já fomos abordados por um casal de brasileiros bem jovem, que ouviu a gente falando português e quis se achegar. Estavam morando numa cidade ali perto pra uma graduação-sanduíche e  foram a Kontanz passear. Pelo que falaram, estavam acostumados a fazer esse passeio em Konstanz e deram uma ajuda pra gente se encontrar na cidade. Quando achamos a estação de trem central de Konstanz, finalmente conseguimos um mapinha. E descobrimos também que os passeios de barco começariam só no dia seguinte! 

A cidade não é muito grande, pelo menos o centro turístico não é. A gente conseguiu fazer tudo caminhando sem problemas. O que a cidade tem de mais especial é o lago Konstanz ou Bodensee, que é enorme, e a estátua de 9 metros de altura, que fica bem na frente do lago e representa uma mulher chamada Imperia. Essa estátua tem um significado especial: a Imperia traz o papa em uma mão e o imperador na outra, ambos nus. Dizem que a estátua representa a sedução dessa bela mulher sobre o clero e a  nobreza. 







Nosso ponto de partida então foi a estátua. Dali, seguimos pela margem do lago passeando, passando pelos resquícios do antigo muro da cidade, até encontrarmos o centro histórico. Como todas essas cidadezinhas, Konstanz também é linda, com seus prédios antigos, as ruelas, as praças, igrejas... Um ponto curioso é a praça com esculturas bizarras, tipo metade homem/metade porco. Outra coisa legal foi a plaquinha indicando a fronteira entre Suíça e Alemanha do lado da aduana. E o  centrinho de Kontanz é mesmo bem pequeno, andamos tudo e sobrava era tempo ainda. Aproveitei pra dar um pulo no shopping para descobrir se os preços ali eram realmente bons e vi que o preço realmente justifica a ida dos suíços até ali. Até mesmo a H&M era mais barata em Konstanz do que em Zürich.


















Antes de irmos embora, paramos para comer algo. Estávamos famintos. Tínhamos comido um mega sanduíche (delicioso!) numa lojinha perto da estação logo depois que chegamos, mas já tinham passado muitas horas desde então. A gente acabou se aborrecendo por causa disso, porque entramos em um restaurante qualquer, razoavelmente barato, e ficamos uns vinte minutos esperando o nosso pedido até constatarmos que haviam nos esquecido e termos que ir embora com  fome. Para completar, nosso ônibus de volta atrasou uns vinte minutos e ainda acabamos descobrindo que aquele não era o ponto certo, embora fosse também em Konstanz. Na verdade, a gente deveria ter saltado em um ponto depois daquele  como eu havia desconfiado. Isso me assustou porque tive medo que o motorista não nos deixasse entrar, pois estávamos no ponto errado. Mas, felizmente, o motorista já desceu do ônibus chamando pelo nosso nome, parecia estar adivinhando. Assim, voltamos pra casa cansados e famintos, mas satisfeitos.

Säulifescht



Eu nunca fui uma pessoa de grandes festas na faculdade. Até da chopada da minha própria turma eu tentei escapar. Pequenas reuniões com uma meia dúzia de pessoas mais próximas me atraem bem mais. No entanto, já que estou em Zürich tão motivada a vivenciar as experiências locais, topei ir a festa mais conhecida da veterinária daqui. Trata-se de uma festa chamada Säulifescht (algo como "festa do porco"), organizada pelo terceiro ano, para arrecadar fundos para o baile de formatura. Essa festa é cheia de atrações e a mais famosa é a corrida de porcos. Sim, parece esquisito, e eu estava curiosa a respeito. Além disso, havia muita comida e bebida,um show com uma banda de alunos e ex-alunos da própria faculdade e o super tradicional cabo de guerra entre os tratadores de vaca e os de cavalo. Mais cedo, teve também um jogo de vôlei, mas esse eu ainda estava em horário de trabalho e não pude acompanhar.

Segundo a Andrea, depois que todas as atrações acabam e só fica a bebida e a pista de dança, as pessoas ficam muito loucas! Mas essa parte eu não fiquei para ver. Bem, mas vamos a super aguardada Säulifescht! Com certeza, muito diferente das festas universitárias que eu já vi no Brasil.

Primeiro, assim que chegamos, resolvemos comer alguma coisa e, então, eu me deparei com um verdadeiro jantar. Você podia optar por ir a barraquinha de batatas fritas e comer apenas uma porção de batatas fritas com páprica. Ou podia optar pelo jantar mesmo. A Andrea me disse que o menu do jantar era churrasco de carne de porco e salada. Como eu não estava interessada no churrasco, achei que seria uma boa ideia pedir uma porção de batatas fritas para comer com a salada. Fui na fila da batata e depois na fila da salada. Aí descobri que o que chama de salada aqui é tudo que é acompanhamento da carne - arroz, salada verde, batatas cozidas, salada de feijão, fatias de pão... Eu nem precisava ter me preocupado com as fritas. 

Depois de comermos, fomos a tão esperada corrida dos porcos. Eles haviam montado uma estrutura no meio do campus e trouxeram uns porcos já treinados, junto com um locutor. As pessoas podiam apostar no porco que acreditavam que fosse ser o vencedor. Fomos lá dar uma olhada nos porcos antes de começar a corrida e um deles, de cor roxa, estava bem animado. "Esse vai ganhar", eu disse, ele está muito agitado e curioso. Andrea disse que eu devia apostar, porque se eu não apostasse, ele com certeza iria ganhar e eu ficaria aborrecida. Mas eu não quis, estava curiosa em vê-los correndo, mas na verdade não sou nada fã dessas coisas. Aí começou a super corrida, que nada mais era do que um locutor berrando e um cara tocando os porcos para que corressem. Não, eles não corriam atrás de um petisco ou coisa assim, mas, relativamente calmos, seguiam as ordens do cuidador. E, no fim, ganhou mesmo o roxo. Mas eu não liguei, não queria mesmo apostar em ninguém. 

Bem, a próxima atração era o showzinho da tal banda da faculdade, que seria simplesmente na sala do anatômico! Afinal, estava chovendo do lado de fora e não seria possível utilizar o palco. Mas, pelo menos, não estava fedendo. A gente foi uma das primeiras a chegar e logo foi sentando em uns banquinhos. O show começou e as pessoas inicialmente estavam todas para os cantos, ninguém dançando. A banda só cantava músicas em inglês (apenas uma em francês) e nenhuma era hit da moda, mas, ainda assim, o pessoal estava curtindo bastante. A única que eu conhecia era "let the sunshine in" e que me surpreendeu bastante, já que, embora clássica, não é uma música muito popular hoje em dia. Lá pro meio do show,algumas pessoas começaram a se soltar e dançar lá no meio. E como dançavam mal. Eu achei que essa história de ginga era mito, mas me pareceu verdade nesse dia. As mulheres eram completamente robóticas, bem piores do que eu, por exemplo, que já sou ruim. Embora não tivesse dançado, me senti uma J-Lo naquele dia. A única pessoa que dançava bem naquele meio era o menino grego, que acabou sendo o único homem dançando e dançou com todas as mulheres. 

Quando acabou o show, eu comecei a pensar em ir embora, mas a Andrea me falou pra esperar pelo menos o tal do cabo de guerra. Como nem todos os tratadores estavam ali, eles resolveram fazer times mistos, com quem quisesse participar. Eu nem estava lá tão a fim, mas acabou sendo bem engraçado. Um time cheio de meninas lindas e loiras, com cabelos esvoaçantes corria para ficar de um lado da corda. Do outro, um bando de brutamontes de macacão e umas mulheres mais corpulentas. Não podia ter sido de outra forma. Acabou com as loiras caindo no chão e ficando ensopadas de lama. Tiveram várias rodadas e muita gente suja de lama. 

Ainda iria começar um outro show, mas estava ficando tarde e eu preferi voltar pra casa. Depois fiquei sabendo que dali em diante não teve mais nada de interessante, provavelmente, apenas os bêbados.  Mas foi divertido pra mim.

Isso é tão suíço!

Eu estava prometendo há um tempo fazer um jantar em casa para minhas duas colegas de escritório aqui da faculdade. Esperei meus pais saírem de viagem, já que a casa não é tão grande assim, e combinei tudo. Avisei que eu não cozinhava. Ou melhor, eu até cozinho, mas muito mal, não seria uma boa ideia para o nosso jantar especial. Eu e o Dani temos um menu todo particular, com as mais diversas possibilidades de combinações entre arroz, feijão, macarrão, ovo, pimentão, cebola, tomate, cenoura, brócolis e berinjela. E curry sempre. Quando estou muito inspirada, rola um cuzcuz marroquino. Enfim, para fazer um jantar assim, a gente teria que testar algum prato algumas vezes até ver que funciona. Afinal, era o meu primeiro jantar na minha casa (temporariamente minha, mas minha). Eu queria que fosse bacana e não uma coisa mais ou menos. Assim, nós resolvemos fazer um raclete suíço. Dessa vez, o típico. Ninguém melhor do que a Andrea, suíça até a alma, para nos dizer como fazer um perfeitamente tradicional. Além disso, é uma comida bem democrática, porque ninguém precisa ficar muito com o umbigo no fogão e cada um prepara o seu próprio raclete, com os ingredientes que lhe agradem.

Para minha surpresa, o verdadeiro raclete, ao contrário do que eu pensava, não era feito com as batatas maiores, mas sim com as pequenas redondas. Além disso, apenas alguns legumes em conserva - pepinos, mini-cebolas e milho - servem de acompanhamento. E o tempero de raclete, é claro. Compramos também champignons para incrementar. E lá fomos nós. Andrea trouxe o grill de casa (já que o nosso já tinha causado bastante frustração)  e tudo correu perfeitamente bem dessa vez. Comemos com vinho branco e algumas cidras suíças. Tomamos também uma dose da cachaça purinha que o Luis havia mandado pra mim. Pra minha surpresa, elas adoraram. Achei que fossem achar ruim tomar puro, mas não. Diane virou o copo de uma vez só. A cachaça era bem gostosa realmente. Dani, coitado, que estava no segundo dia de corrida, abortou a corrida e se rendeu ao jantar.

Talvez outras pessoas tenham tido outras experiências, mas, para mim, os suíços parecem pessoas extremamente simples e sem frescuras. Eles provam a comida  direto do seu prato se você oferecer e cortam bolo e te entregam com a mão, porque é claro que você não se importa, né? Eles não ligam como você come e, se cair um mosquitinho no prato, tira o mosquito, ora! A impressão é que isso não tem a menor importância pra eles. Frescura pra comer? Eles não tem, provam de tudo. Como anfitriã inexperiente, eu não lembrei de comprar guardanapos e isso não foi problema nenhum. "Podemos pegar papel higiênico, ora"... afinal, por que fazer de qualquer coisa um problema? Porque não ter guardanapo é um problema? Bem, mas acabamos comendo sem guardanapo e sem papel higiênico.

Outra coisa que suíços adoram é de falar das coisas suíças. Adoram a frase "mas isso é tão suíço!" Eles podem falar pelo tempo que você quiser de quantos lugares maravilhosos tem por aqui pra  se conhecer. As montanhas - ah, as montanhas!... São o maior orgulho deles. Não me deram sossego enquanto não fui visitar as montanhas. Mas não só dos lugares eles falam e se gabam (com toda a razão), falam das mil e uma especiarias, da cultura, das roupas, das festas, da história, da Heidi, do chocolate, do queijo, do canivete, das vaquinhas de madeira... enfim, nem eu imaginava, quando cheguei aqui, que a Suíça fosse um lugar tão cheio de coisas pra se descobrir de todas as esferas possíveis. 

Enfim, tudo isso fez da nossa noite bem agradável. Conversamos até tarde e a Andrea ainda deixou o grill comigo para que eu pudesse preparar um raclete de verdade pros meus pais quando voltassem. E, vejam só, foi uma noite tão legal, que a gente até esqueceu de tirar fotos. Não temos nem umazinha pra guardar. 

domingo, 15 de junho de 2014

Sechseläuten e a queima do Böög

Todo ano aqui em Zürich, durante a primavera, mais precisamente na terceira segunda-feira de abril, ocorre uma super tradicional festa que é só de Zürich, chamada SechseläutenSechseläuten, uma palavra do alemão suíço que significa algo do tipo "quando os sinos batem às seis horas"  ou simplesmente "batida das seis".  A explicação para essa festa é que, antigamente, durante o inverno, todos os empregados trabalhavam  enquanto houvesse luz do dia, o que a essa época do ano, dura bem pouco. Mas, no verão... ah, no  verão, eles trabalhavam até as seis da tarde! Acontece que o sol vai até nove da noite no verão. Isso significa mais horas de sol fora do trabalho, mais tempo para curtir a vida em plena luz do dia. Como celebração, todos os anos, acontece esse desfile do qual apenas os integrantes das famílias tradicionais de Zürich podem participar. Eles vem com roupas típicas, muitas vezes, relacionada a atividade antiga da família, carregando seus brasões e tocando música. Recebem muitas flores do público ao longo do caminho. Fica bem bonito. Há quem diga que essa é uma festa bastante elitista e todos os participantes são muito ricos. Se você não tem um pezinho na "nobreza", está de fora do desfile. 

Junto com essa festa, na verdade logo após os desfiles, acontece a queima do Böögg. O Böögg é um boneco de neve gigante cheio de explosivo dentro e a sua queima e explosão é uma  evento também tradicional que determina se o verão vai ser longo ou não. Uma explosão rápida indica um verão com dias mais quentes.

Nos dias que precederam a grande festa, a Bellevue já estava se preparando. No sábado anterior, haveria ali um grande concerto a céu aberto e um passeio de camelos. O dia estava lindo e o Böögg já estava lá a postos, sendo exibido. O povo parecia bem animado, sentados em grupos no imenso e novo terraço de Bellevue. Nada poderia ser melhor do que um caloroso sábado de sol. A gente também não fez diferente. Assistimos ao concerto sentados em Bellevue, passeamos pelo parque ali do lado e andamos de barco. Por todo lado, era uma animação só, pessoas já vestidas a caráter, piqueniques, música. Uma delícia de dia na ensolarada Zürich. Tudo aquilo deixou a gente realmente ansioso pra segunda-feira, quando o grande evento aconteceria.













Acontece que quando chegou o dia da festa propriamente, o dia já não estava tão bonito - uma chuva chata, um friozinho chato...  Mas isso não abalou o público e nem o povo desfilando. Tudo continuava conforme o previsto. E o povo desfilando estava mais do que animado. Afinal, aquela é a festa mais tradicional de Zürich e é só de Zürich. Fiquei feliz de poder ver como é e também pelo fato de meus pais ainda estarem aqui. Meu pai ficou realmente muito encantado,  não sabia o que fotografar, chegou a correr que nem um maluco entre as pessoas para não perder nada. 










Até então estava tudo muito bom. A parte chata foi que, na hora da queima do Böögg, chovia muito. O Boneco estava numa altura considerável, mas com tantos guarda-chuvas na nossa frente, mal conseguíamos ver qualquer coisa. Aliado a muvuca, tudo isso me deixou bem irritada. Eu queria ver o Böögg e as pessoas ficavam paradas conversando na minha frente com seus guarda-chuvas sem nem olharem pro boneco. Mas quando ele finalmente começou a pegar fogo, não tinha como não ver. Era, de certa forma, assustador. Eu tinha visto fotos na internet, mas mesmo assim, fiquei com um certo medo. O fogo é intenso e alto. Dá a sensação de que algo deu errado, de que aquilo não era pra ter sido assim. Mas era assim. E depois de alguns minutos, a cabeça dele explode, faz um barulhão, e todo mundo já dá seus palpites para o verão. Vale ressaltar que o tempo desse ano - em torno de sete minutos - foi muito bom, dizem, presságio de um verão ao gosto dos suíços, bem quentinho e ensolarado.





A essa altura, eu já tinha me perdido dos meus pais e, por sorte, ainda não tinha me perdido do Dani. Fomos nos espreitando pela muvucada até achar uma ruazinha pra respirar. Aí pegamos o caminho maior e mais vazio. Só encontramos meus pais em casa, chegamos juntos na verdade, mas de diferentes trans. Sobrevivemos a muvuca e ao programa de índio imperdível em Zürich.