Para minha surpresa, o verdadeiro raclete, ao contrário do que eu pensava, não era feito com as batatas maiores, mas sim com as pequenas redondas. Além disso, apenas alguns legumes em conserva - pepinos, mini-cebolas e milho - servem de acompanhamento. E o tempero de raclete, é claro. Compramos também champignons para incrementar. E lá fomos nós. Andrea trouxe o grill de casa (já que o nosso já tinha causado bastante frustração) e tudo correu perfeitamente bem dessa vez. Comemos com vinho branco e algumas cidras suíças. Tomamos também uma dose da cachaça purinha que o Luis havia mandado pra mim. Pra minha surpresa, elas adoraram. Achei que fossem achar ruim tomar puro, mas não. Diane virou o copo de uma vez só. A cachaça era bem gostosa realmente. Dani, coitado, que estava no segundo dia de corrida, abortou a corrida e se rendeu ao jantar.
Talvez outras pessoas tenham tido outras experiências, mas, para mim, os suíços parecem pessoas extremamente simples e sem frescuras. Eles provam a comida direto do seu prato se você oferecer e cortam bolo e te entregam com a mão, porque é claro que você não se importa, né? Eles não ligam como você come e, se cair um mosquitinho no prato, tira o mosquito, ora! A impressão é que isso não tem a menor importância pra eles. Frescura pra comer? Eles não tem, provam de tudo. Como anfitriã inexperiente, eu não lembrei de comprar guardanapos e isso não foi problema nenhum. "Podemos pegar papel higiênico, ora"... afinal, por que fazer de qualquer coisa um problema? Porque não ter guardanapo é um problema? Bem, mas acabamos comendo sem guardanapo e sem papel higiênico.
Outra coisa que suíços adoram é de falar das coisas suíças. Adoram a frase "mas isso é tão suíço!" Eles podem falar pelo tempo que você quiser de quantos lugares maravilhosos tem por aqui pra se conhecer. As montanhas - ah, as montanhas!... São o maior orgulho deles. Não me deram sossego enquanto não fui visitar as montanhas. Mas não só dos lugares eles falam e se gabam (com toda a razão), falam das mil e uma especiarias, da cultura, das roupas, das festas, da história, da Heidi, do chocolate, do queijo, do canivete, das vaquinhas de madeira... enfim, nem eu imaginava, quando cheguei aqui, que a Suíça fosse um lugar tão cheio de coisas pra se descobrir de todas as esferas possíveis.
Enfim, tudo isso fez da nossa noite bem agradável. Conversamos até tarde e a Andrea ainda deixou o grill comigo para que eu pudesse preparar um raclete de verdade pros meus pais quando voltassem. E, vejam só, foi uma noite tão legal, que a gente até esqueceu de tirar fotos. Não temos nem umazinha pra guardar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário