terça-feira, 24 de junho de 2014

Isso é tão suíço!

Eu estava prometendo há um tempo fazer um jantar em casa para minhas duas colegas de escritório aqui da faculdade. Esperei meus pais saírem de viagem, já que a casa não é tão grande assim, e combinei tudo. Avisei que eu não cozinhava. Ou melhor, eu até cozinho, mas muito mal, não seria uma boa ideia para o nosso jantar especial. Eu e o Dani temos um menu todo particular, com as mais diversas possibilidades de combinações entre arroz, feijão, macarrão, ovo, pimentão, cebola, tomate, cenoura, brócolis e berinjela. E curry sempre. Quando estou muito inspirada, rola um cuzcuz marroquino. Enfim, para fazer um jantar assim, a gente teria que testar algum prato algumas vezes até ver que funciona. Afinal, era o meu primeiro jantar na minha casa (temporariamente minha, mas minha). Eu queria que fosse bacana e não uma coisa mais ou menos. Assim, nós resolvemos fazer um raclete suíço. Dessa vez, o típico. Ninguém melhor do que a Andrea, suíça até a alma, para nos dizer como fazer um perfeitamente tradicional. Além disso, é uma comida bem democrática, porque ninguém precisa ficar muito com o umbigo no fogão e cada um prepara o seu próprio raclete, com os ingredientes que lhe agradem.

Para minha surpresa, o verdadeiro raclete, ao contrário do que eu pensava, não era feito com as batatas maiores, mas sim com as pequenas redondas. Além disso, apenas alguns legumes em conserva - pepinos, mini-cebolas e milho - servem de acompanhamento. E o tempero de raclete, é claro. Compramos também champignons para incrementar. E lá fomos nós. Andrea trouxe o grill de casa (já que o nosso já tinha causado bastante frustração)  e tudo correu perfeitamente bem dessa vez. Comemos com vinho branco e algumas cidras suíças. Tomamos também uma dose da cachaça purinha que o Luis havia mandado pra mim. Pra minha surpresa, elas adoraram. Achei que fossem achar ruim tomar puro, mas não. Diane virou o copo de uma vez só. A cachaça era bem gostosa realmente. Dani, coitado, que estava no segundo dia de corrida, abortou a corrida e se rendeu ao jantar.

Talvez outras pessoas tenham tido outras experiências, mas, para mim, os suíços parecem pessoas extremamente simples e sem frescuras. Eles provam a comida  direto do seu prato se você oferecer e cortam bolo e te entregam com a mão, porque é claro que você não se importa, né? Eles não ligam como você come e, se cair um mosquitinho no prato, tira o mosquito, ora! A impressão é que isso não tem a menor importância pra eles. Frescura pra comer? Eles não tem, provam de tudo. Como anfitriã inexperiente, eu não lembrei de comprar guardanapos e isso não foi problema nenhum. "Podemos pegar papel higiênico, ora"... afinal, por que fazer de qualquer coisa um problema? Porque não ter guardanapo é um problema? Bem, mas acabamos comendo sem guardanapo e sem papel higiênico.

Outra coisa que suíços adoram é de falar das coisas suíças. Adoram a frase "mas isso é tão suíço!" Eles podem falar pelo tempo que você quiser de quantos lugares maravilhosos tem por aqui pra  se conhecer. As montanhas - ah, as montanhas!... São o maior orgulho deles. Não me deram sossego enquanto não fui visitar as montanhas. Mas não só dos lugares eles falam e se gabam (com toda a razão), falam das mil e uma especiarias, da cultura, das roupas, das festas, da história, da Heidi, do chocolate, do queijo, do canivete, das vaquinhas de madeira... enfim, nem eu imaginava, quando cheguei aqui, que a Suíça fosse um lugar tão cheio de coisas pra se descobrir de todas as esferas possíveis. 

Enfim, tudo isso fez da nossa noite bem agradável. Conversamos até tarde e a Andrea ainda deixou o grill comigo para que eu pudesse preparar um raclete de verdade pros meus pais quando voltassem. E, vejam só, foi uma noite tão legal, que a gente até esqueceu de tirar fotos. Não temos nem umazinha pra guardar. 

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