domingo, 15 de junho de 2014

Sechseläuten e a queima do Böög

Todo ano aqui em Zürich, durante a primavera, mais precisamente na terceira segunda-feira de abril, ocorre uma super tradicional festa que é só de Zürich, chamada SechseläutenSechseläuten, uma palavra do alemão suíço que significa algo do tipo "quando os sinos batem às seis horas"  ou simplesmente "batida das seis".  A explicação para essa festa é que, antigamente, durante o inverno, todos os empregados trabalhavam  enquanto houvesse luz do dia, o que a essa época do ano, dura bem pouco. Mas, no verão... ah, no  verão, eles trabalhavam até as seis da tarde! Acontece que o sol vai até nove da noite no verão. Isso significa mais horas de sol fora do trabalho, mais tempo para curtir a vida em plena luz do dia. Como celebração, todos os anos, acontece esse desfile do qual apenas os integrantes das famílias tradicionais de Zürich podem participar. Eles vem com roupas típicas, muitas vezes, relacionada a atividade antiga da família, carregando seus brasões e tocando música. Recebem muitas flores do público ao longo do caminho. Fica bem bonito. Há quem diga que essa é uma festa bastante elitista e todos os participantes são muito ricos. Se você não tem um pezinho na "nobreza", está de fora do desfile. 

Junto com essa festa, na verdade logo após os desfiles, acontece a queima do Böögg. O Böögg é um boneco de neve gigante cheio de explosivo dentro e a sua queima e explosão é uma  evento também tradicional que determina se o verão vai ser longo ou não. Uma explosão rápida indica um verão com dias mais quentes.

Nos dias que precederam a grande festa, a Bellevue já estava se preparando. No sábado anterior, haveria ali um grande concerto a céu aberto e um passeio de camelos. O dia estava lindo e o Böögg já estava lá a postos, sendo exibido. O povo parecia bem animado, sentados em grupos no imenso e novo terraço de Bellevue. Nada poderia ser melhor do que um caloroso sábado de sol. A gente também não fez diferente. Assistimos ao concerto sentados em Bellevue, passeamos pelo parque ali do lado e andamos de barco. Por todo lado, era uma animação só, pessoas já vestidas a caráter, piqueniques, música. Uma delícia de dia na ensolarada Zürich. Tudo aquilo deixou a gente realmente ansioso pra segunda-feira, quando o grande evento aconteceria.













Acontece que quando chegou o dia da festa propriamente, o dia já não estava tão bonito - uma chuva chata, um friozinho chato...  Mas isso não abalou o público e nem o povo desfilando. Tudo continuava conforme o previsto. E o povo desfilando estava mais do que animado. Afinal, aquela é a festa mais tradicional de Zürich e é só de Zürich. Fiquei feliz de poder ver como é e também pelo fato de meus pais ainda estarem aqui. Meu pai ficou realmente muito encantado,  não sabia o que fotografar, chegou a correr que nem um maluco entre as pessoas para não perder nada. 










Até então estava tudo muito bom. A parte chata foi que, na hora da queima do Böögg, chovia muito. O Boneco estava numa altura considerável, mas com tantos guarda-chuvas na nossa frente, mal conseguíamos ver qualquer coisa. Aliado a muvuca, tudo isso me deixou bem irritada. Eu queria ver o Böögg e as pessoas ficavam paradas conversando na minha frente com seus guarda-chuvas sem nem olharem pro boneco. Mas quando ele finalmente começou a pegar fogo, não tinha como não ver. Era, de certa forma, assustador. Eu tinha visto fotos na internet, mas mesmo assim, fiquei com um certo medo. O fogo é intenso e alto. Dá a sensação de que algo deu errado, de que aquilo não era pra ter sido assim. Mas era assim. E depois de alguns minutos, a cabeça dele explode, faz um barulhão, e todo mundo já dá seus palpites para o verão. Vale ressaltar que o tempo desse ano - em torno de sete minutos - foi muito bom, dizem, presságio de um verão ao gosto dos suíços, bem quentinho e ensolarado.





A essa altura, eu já tinha me perdido dos meus pais e, por sorte, ainda não tinha me perdido do Dani. Fomos nos espreitando pela muvucada até achar uma ruazinha pra respirar. Aí pegamos o caminho maior e mais vazio. Só encontramos meus pais em casa, chegamos juntos na verdade, mas de diferentes trans. Sobrevivemos a muvuca e ao programa de índio imperdível em Zürich.

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