domingo, 8 de junho de 2014

Praga

A viagem de trem a Praga foi bonita, margeando um rio durante quase todo o percurso. Uma coisa engraçada foi que, ainda no início da viagem, eu e Dani caminhamos até o vagão do restaurante. Havíamos comprado várias comidinhas para a  viagem, mas estávamos entediados e queríamos ir a procura de algo diferente. Chegamos lá e os preços não eram dos melhores e acabamos desistindo, já que tínhamos feito compras justamente para isso. Depois de algumas horas, mais uma vez entediados, resolvemos voltar até lá. Quem sabe não tomávamos um café? A essa altura, já havíamos saído da Alemanha e entrado na República Tcheca. Acontece que agora o cardápio do restaurante estava diferente. As coisas tinham caído de preço pela metade. Felicidade pura. Dani comprou a desejada cerveja por um pouco mais do que um Euro, eu comprei um café e ainda um sanduíche bem gostoso. 

Na nossa cabine, um casal indo a Bratislava, destino final do trem, onde ambos estudavam, ele vinha da Inglaterra e ela, da Alemanha. Puxamos assunto porque não sabíamos em que estação saltar, já que tinham duas "Pragas", aí eles nos ajudaram e começou o papo. 
Saltamos em Praga, na estação certa, com apenas uma foto do google maps no meu celular. Parecia tão fácil chegar no hotel (segundo o google e segundo o próprio hotel), que eu nem me toquei de pegar logo um mapinha. Mas o meu problema com estações é que normalmente a saída indicada pelo google nem sempre é tão óbvia. A gente acabou indo pro lado contrário e se perdendo. Paramos numa ponte pra pedir ajuda, não certos de que qualquer um ali falaria inglês. Finalmente descobrimos que não estávamos no lado certo. Daí pegamos o pior caminho do planeta, andamos em uma microcalçada de um viaduto super movimentado e finalmente chegamos na Praga que estávamos imaginando. 



Nosso hotel era, na verdade, um botel - Botel Albatroz! Era um barco enorme transformado em hotel. Eu esta super ansiosa para conhecer. Era perto de tudo, mas não tão perto como parecia ser no Google. E o botel não deixou a desejar. Uma graça! Todo de madeira por dentro e cada quarto era mesmo uma cabine. Nosso quarto era super aconchegante e com a janela voltada para o rio, parecia que estávamos mesmo navegando. Apenas o banheiro era bem pequeno, mas não se podia esperar tanto, afinal, a gente estava em um barco. E, ainda assim, já vi banheiros mais espremidos do que aquele.




Mas nem perdemos muito tempo admirando o botel. Fomos logo conhecer a cidade. E tínhamos a grande vantagem de um dia super comprido a essa época do ano. O sol estava indo embora lá pras nove da noite. Nosso primeiro ponto foi a praça da cidade velha. E, para chegar até lá, pegamos uma rua principal com alguns prédios bem bonitos. Antes de chegar na praça, a gente tinha que passar ainda por um portão enorme no meio da rua - o "Powder Gate", lindo. As ruelas do labirinto que é o centro de Praga também são muito charmosas, cheias de restaurantes e lojinhas. Além disso, estavam cheias de turistas. 






A praça da cidade velha era super ampla e tinha um clima ótimo, com músicos de rua e barraquinhas de comida. Em volta, tinham duas igrejas muito lindas - a Catedral Týn e a Igreja de São Nicolau - e a antiga torre da prefeitura com o relógio astronômico. O relógio astronômico bate a cada hora e é uma festa, com vários bonequinhos entrando e saindo lá de dentro. Demos sorte e chegamos lá uns dez minutos antes que ele tocasse. A multidão começou a se reunir ali por perto para o esperado momento de ver as firulas do relógio. E realmente é tudo muito bonitinho. Mas o legal mesmo é ver os bonequinhos, junto com o pessoal aplaudindo, tirando foto e com um cara lá de cima tocando uma corneta. Até o casais começaram a se beijar. Parecia até festa de ano novo!












Dali, resolvemos caminhar em direção a Ponte Carlos. Nos perdemos um pouquinho pelas ruelas, mas até que não foi nada mal. Passear por ali é bem agradável. A Ponte é uma das principais atrações de Praga, junto com o castelo. E dá pra entender porque. Além de ser uma ponte linda, por si só, com estátuas por toda a sua extensão, ainda tem uma vista maravilhosa pro castelo e, é lógico, um super visual do rio também. Fica super movimentado ali em cima, com muita gente passando e todo o tipo de artista de rua. Enquanto estávamos na ponte, o sol começou a se por e foi bom estar por ali pra ver a cidade à noite no seu melhor ponto. Atravessamos ao outro lado e caminhamos um pouco pela cidade baixa. A noite ia caindo e as ruas continuavam cheias de gente, com lojas abertas e muito movimento. Paramos em um restaurante escondido para comer alguma coisa com calma. Praga também não é uma cidade cara e então podíamos relaxar um pouco mais e não ficar escolhendo muito. Meu pai ficou muito feliz porque podia beber bastante cerveja, a típica Pilsen e blá blá blá.



















A noite no barco foi ótima. Pena que estávamos tão cansados e desmaiamos logo depois do banho. Na manhã seguinte, também acordamos bem cedo. O café da manhã do botel também era delícia. Ainda mais pra gente que está acostumado com hotéis budgets que normalmente nem café da manhã tem. Me senti muito rica nesse dia. Lembrando que esse botel foi o mais budget de todos... pagamos apenas 93 reais a diária. 

Aquela manhã seria inteiramente pra gente ir ao castelo. Na verdade, o castelo de Praga (Prazsky hrad) é um complexo de atrações no alto de um morro, cercado por uma grande muralha. Além de ser o maior do mundo, se considerarmos todo o complexo, o castelo também tem mais de mil anos. As entradas na verdade são pacotes para várias atrações. Escolhemos um pacote que dava direito a visita a Cadetral São Vito, a Basílica de São Jorge, a Golden Lane e ao  Antigo Palácio Real. 

Fomos primeiro a Catedral, que, além de bem impressionante, era a primeira coisa a se encontrar. Enorme  e, em meio aos outros prédios do complexo, ficava difícil pegá-la todinha na foto. Tinha japonês se jogando no chão pra conseguir um bom click.  Entrou no nosso Top Five, junto com Milão, Viena e Strasbourg. Como toda as catedrais góticas que tínhamos visitado, a riqueza de detalhes era inacreditável. 













Depois disso, corremos para a Golden Lane, porque essa atração ficava fechada entre 11 e uma uma da tarde. Era uma ruazinha antiga onde eles mantinham as pequeninas casas (ou algumas delas) mais ou menos como elas eram na época. Nessas casinhas, moravam os artesãos de ouro. Algumas das casas viraram lojinhas de souvenirs bem legais, muitas vendendo marionetes, o que parece ser uma tradição de Praga, porque podem ser encontradas em todo lugar.






Do outro lado da Golden Lane, a Torre Daliborke servia para proteger o castelo antigamente. essa torre, são  exibidos instrumentos de tortura de vários tipos, além de solitárias e um calabouço. Um tanto quanto mórbido, mas essas coisas estão por toda parte.










Logo depois, fomos a Basílica de São Jorge e pudemos comparar os dois estilos muito bem - o da Basílica com o da Catedral gótica. A Basílica era menor e mais simples. Acho que na época em que foi construída ainda não tinham as técnicas para construir catedrais gigantescas e cheias de detalhes. Enfim, cada uma era linda a seu tempo.










A última parada foi o palácio, que, por fora, não parecia lá essas coisas, mas por dentro era bem bonito. Tinha um salão enorme no meio e salas menores ao redor. A gente viu a coroa e o cetro em uma sala e, em outra, vários brasões pintados nas paredes, com a explicação dos significados. Outra coisa legal do palácio era um terraço com uma vista panorâmica de Praga. Como eu adoro vistas panorâmicas, fiquei toda feliz. O difícil era se apertar pra conseguir ver alguma coisa no meio de inúmeros grupos de turistas, com guias falando os mais variados idiomas. 














Resolvemos descer de volta a cidade a pé mesmo, por uma escadinha muito charmosinha e florida. O trajeto nem era tão árduo. A gente teria conseguido fazer a pé com facilidade. Caminhamos um pouquinho ali embaixo, perto do rio, e fomos almoçar num restaurante pertinho da ponte. O clima não poderia estar melhor. Estávamos bem cansados a essa altura e foi bom poder parar um pouco. Aproveitei para tomar uma taça de vinho tcheco, que, por sinal, era bem gostoso. Meu  pai e Dani beberam mais uma vez a tal da famosa cerveja tcheca. 







Depois dali, pegamos nossas coisas no hotel e caminhamos até a estação de trem. Aproveitamos para prestar mais atenção em uma das ruas principais do centro, a que tínhamos passado meio que na correria. Agora, não estávamos tão apressados, mas infelizmente, não podíamos parar muito. Meu pai não sabia se carregava bolsa, máquina de fotografar ou segurava os óculos. A nossa passagem por Praga foi corrida, sem dúvida, precisávamos de mais um dia. Embora a cidade não seja grande, ao menos não a parte histórica, os trajetos de ida ao hotel e a estação de trem deixaram a gente com o tempo apertado. Nós vimos as principais atrações, mas não conseguimos parar muito para curtir o clima da cidade, que é tão descontraído. Aliás, isso, de certa forma, foi interessante, porque ouvi algumas pessoas dizerem que Praga tinha um clima meio pesado, talvez pelos resquícios da história recente etc. Mas eu não  achei nada disso. Talvez as coisas tenham mudado recentemente, já que, ao que parece,  a cidade está na modinha e recebe cada vez mais turistas. Eu achei que o clima é, de certa forma, bem leve, provavelmente porque não não tem a responsabilidade de grandes cidades como Londres, Paris e Berlin. A cidade por si só é a própria atração e parece se oferecer de coração aos visitantes. Saímos de lá com um gostinho de que passou muito rápido. 

O pior é que a viagem não acabava aí. Ainda tínhamos um longo caminho até Zürich. Como a praticidade não é um dos meus fortes, as nossas passagens tinham sido compradas de ida e volta para Leipzig, porque era o destino com valores promocionais. Foram quatro horas de trem até Leipzig. Meu pai e o Dani foram tomando cervejas que tinham comprado no mercadinho da estação e nem sentiram o tempo passar. Na verdade, o Dani só começa a contar as horas quando acaba a cerveja. Dividindo a cabine com a gente, uma senhora que nos lembrava muito a Angela Merckel e foi a viagem toda calada e um tanto sisuda. O mais irônico e doloroso foi ver também que o nosso trem de Praga a Leipzig continuaria até Zürich. Mas a gente não, a gente esperaria até de manhã pra pegar um mini-avião. 



Acontece que a gente chegaria lá por volta de onze da noite e o voo sairia as sete da manhã. Todo mundo concordou que pagar 500 reais no hotel para chegar a meia-noite e acordar as três da manhã não valia a pena. Daí decidimos que não seria lá tanto sacrifício assim passar aquelas horas no aeroporto. Mas foi. E justamente depois de uma das viagens mais cansativas que tivemos. Deitamos em um banco de ferro, frio e desconfortável. Eu não consegui dormir mais do que 15 minutos. Depois de uma noite que nunca terminava, finalmente chegou a hora de irmos fazer o check-in com as caras mais amassadas do planeta. Entrei no avião muito mal humorada, porque, depois de tudo, ainda teria que trabalhar. Toda essa correria me rendeu algo de bom: pela primeira vez, consegui dormir de verdade em um avião. Não foi o voo todo, mas já foi um grande começo.

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