Aconteceu
que no dia seguinte da nossa chegada da Grécia, a gente tinha uma viagem
agendada para as montanhas com as meninas aqui da faculdade. Então, foi
basicamente assim: chegamos da Grécia depois de uma noite praticamente
não dormida, almoçamos, dormimos, acordamos e partimos mais uma vez.
Logicamente, a gente preferiria ter esquentado o sofá um pouquinho mais antes
de viajar de novo, mas não tínhamos muitas opções. Afinal, a combinação dessa
viagem em um fim de semana em que as quatro estivessem livres rendeu mais de um
mês de doodle e até mudança de estação - originalmente, faríamos a viagem ainda
no inverno. Como eu tenho paixão por essa paisagem montanhosa verdinha e
florida, até que curti a ideia de ir no verão.
Tivemos
que acordar às cinco da manhã para pegar o trem das sete. Ficaríamos três dias
passeando pela Suíça (e um pouquinho da Itália), segundo o trajeto do trem
famoso Bernina-Express. Esse trem tem vagões turísticos (e caríssimos) com
janelas panorâmicas e talvez mais alguns fru-frus, não sei bem. Mas o que
algumas pessoas não sabem é que o mesmo trem tem vagões comuns, com tarifas
convencionais. Assim, a gente estaria no mesmo trem, mas em vagões
separados. O Bernina-Express é uma das rotas mais populares de turismo na
Suíça e considerada uma dos passeios de trem mais bonitos do mundo. O trem
cruza paisagens incríveis, desde o ensolarado sul da Suíça e Norte da Itália
até o pico dos alpes, onde a neve pode ser vista o ano inteiro. Parte do
trajeto faz parte do Patrimônio da Unesco. O trajeto original começa em Chur ou
St Moritz, de onde o trem parte para o Sul, até Tirano, na Itália. De Tirano,
os passageiros vão de ônibus até Lugano. Por razões práticas, fizemos o trajeto
ao contrário, começando em Lugano, com uma rápida passada em Bellinzona para
visita aos castelos medievais, os mais preservados da Suíça e também patrimônio
da Unesco.
Então, a
ideia era: ir de Zürich a Bellinzona, no cantão Ticino (cantão da Suíça que
fala o idioma italiano), para visitar os famosos castelos da cidade. De lá,
partiríamos para Lugano, e, então, para Tirano, iniciando a rota do
Bernina-express. De Tirano, iríamos até Pontresina, onde passaríamos a noite e
no dia seguinte seguiríamos de volta a Zürich. Como seriam muitos trens e não
queríamos ficar engessados num roteiro muito fechado, a Andrea conseguiu
arrumar pra gente o "gemeinde tageskarte", um para cada um dos três
dias de viagem. Esse é um ticket que te dá direito a viajar a vontade por
toda a suíça no dia indicado. É como um swiss-pass, mas muito mais barato. Na
verdade, esse ticket é oferecido para moradores registrados na suíça e cada
cidade tem direito a uma cota. Não é um ticket intransferível, então, basta o
próprio morador ir até a unidade local e solicitar seus tickets. O número é
limitado, então, o ideal é solicitar com antecedência. Por algum motivo, eles
não oferecem mais esses tickets na cidade de Zürich, por isso, não pudemos
arrumar por nós mesmos e precisamos que a Andrea fizesse isso na cidadezinha dela.
Encontramos
as meninas na estação e seguimos com o trem a Bellinzona. A viagem foi
divertida, havia um grupo de rapazes, fazendo a maior bagunça e já bebendo
àquela hora da manhã. Ouvimos anunciarem no auto-falante que naquela viagem, o
carrinho não passaria com as comidas disponíveis no bar. Se alguém desejasse
comer ou beber algo, deveria ir até o restaurante. Eis que uns três dos rapazes
surgem trazendo uma big bandeja, com pães, queijos e frutas e passando de
cadeira em cadeira, oferecendo a comida aos outros viajantes. Já que o
carrinho não passa hoje - diziam - nós seremos o carrinho! E lá foram eles de
vagão em vagão. Uns minutos depois, ouvimos novamente o auto-falante. Era um
dos garotos, que foi até a cabine e pediu a palavra, anunciou que um deles iria
se casar e por isso estavam tão animados. Está aí a explicação.
No
caminho, descobri também que sou uma vergonha para qualquer suíço. Estava ali,
me encaminhando para uma viagem nas montanhas e... sem tênis próprio para isso.
A Andrea ficou preocupada de verdade. Fui com um tênis comum, ué! Para mim,
mais do que normal, mas para a maioria dos suíços, é motivo de preocupação.
Suíços não jogam bola espontaneamente, não mesmo, tem que ter o time formado, o
uniforme, caneleira, joelheira e sei lá mais o que. Para o hiking, a mesma
coisa, eles vão super preparados. Não que eles estejam errados, mas a gente
realmente não esperava que fosse ser assim um problema. Afinal, as trilhas na
Suíça são todas muito bem sinalizadas e muito seguras. E subir o morro da Urca
no meio do mato, pisando no barro e em pedras soltas? Já fizemos de havaianas,
várias vezes. Se eu fosse seguir a conduta suíça, usaria tênis de hiking para
andar na rua no Brasil, afinal, sempre tem um buraco aqui, uma pedra
solta ali... até cogitei comprar o tal tênis de hiking quando chegássemos
em Lugano para ficar no lado seguro, mas depois que a Andrea me disse que um
bom tênis de hiking custaria pelo menos 150 francos, eu desisti mesmo. Afinal,
tinha subido em chão de mármore na Acrópole com aquele meu tenizinho, ele ia
dar conta.
Chegamos
bem cedo a Bellinzona. As principais atrações da cidade parecem ser mesmo os
três castelos medievais - Castelgrande, Castello di Montebello e Castello
di Sasso Corbaro. Dos três, visitamos os dois primeiros. Fomos os
primeiros a chegar no Castelo di Montebello naquele dia. A mulher da recepção
era uma brasileira, então, acabamos falando mais português do que alemão,
italiano ou inglês. Este castelo era pequeno e abrigava um museu ao longo de
muitos andares de uma das torres. Era um pouco cansativo e, na verdade, nada de
muito imperdível. Então, fomos logo para o segundo castelo, o maior deles -
Castelgrande, com um espaço externo enorme, e já cheio de gente. Passeamos um
pouco pela parte externa, tivemos uma boa vista de toda a cidade (ou boa parte)
e depois descemos. Andamos mais um pouco pelas calçadas da cidade histórica,
ocupadas por um mercadinho de rua muito fofo e depois voltamos a estação de
trem. Encontraríamos Diane no próximo trem para Lugano.
Chegamos
a Lugano e fomos direto passear pela beira do lago Lugano. O clima era
diferente realmente do que vemos na parte alemã e não só pelo dia ensolarado
que fazia. Linda cidade. E apesar de ser a maior da parte italiana, me pareceu
bem bucólica. O lago de Lugano, na beira de montanhas, é a principal atração e
andar por ali, numa época tão cheia de cores, foi muito agradável. As meninas
quiseram parar em uma "área de banho" para nadar um pouco. Essas
áreas são privativas, ou seja, só pode nadar naquele cercadinho do lago quem
pagar os sete francos de entrada. A única vantagem disso é você ter um banheiro
e um espaço para vestuário. E daí veio a minha segunda bola fora do dia. Eu não
tinha levado biquini. A gente até tinha comentado sobre talvez nadar no lago,
mas achei que teríamos muito pouco tempo e decidi por não levar biquini. Na
verdade, eu acho que estava tão cansada da viagem da Grécia que não tinha nem
muita energia para nadar no lago. Entramos com elas e nos sentamos no deque,
tomando um solzinho. O Dani até conseguiu tirar um cochilo.
Quando
saímos de lá, passeamos um pouco pelas ruas do centro histórico - cheias de
gente, mas livre de carros ou qualquer outro transporte. Depois disso, fizemos
umas compras pro dia seguinte e daí veio a terceira bola fora. Eu e Dani
definitivamente não entendemos desse tipo de viagem. Ficamos super felizes
porque conseguimos colocar roupas pros dois em apenas uma mochila. Ora, afinal,
eram menos de três dias, não precisávamos de tanta coisa assim. Além disso, na
nossa cabeça, era uma viagem de aventura, explorando as montanhas, não
precisávamos levar mil opções para diferentes eventos. Mas cada uma das meninas
trazia uma mochilona que ia quase até o pé. E eu achando que elas estavam
exagerando e elas não entendendo como conseguimos colocar tudo naquela
mochilinha. Depois entendemos que, além obviamente do tênis de hiking e do
biquini que não havíamos levado, também não tínhamos trazido toalha e nem
chinelo (o que, segundo elas, é normalmente obrigatório em hostels). Ok, sem o
chinelo eu até poderia passar, mas sem a toalha era impossível. Compramos então
uma toalha no Coop.
Então,
seguimos para o hotel. Ficaríamos em um hostel muito bom - um albergue da
juventude - que a Andrea tinha reservado aqui. Era a poucos minutos de ônibus
da estação de trem principal, mas a sensação era de estar bem no meio do campo.
O hostel em si era uma delícia, uma área verde enorme ao redor, com quartos
limpos e bem silencioso. Eu e Dani ficamos num quarto duplo com banheiro
privativo e saída para o jardim. E com toalhas disponíveis sem custo adicional.
Na verdade, era um quarto quádruplo, reservado para duas pessoas apenas. Então,
não havia cama de casal, apenas duas beliches. Nos ajeitamos por ali, tomamos
um banho e nos arrumamos para sair para jantar. As meninas queriam procurar um
tipo de restaurante característico daquela região chamado grotto. Eu não
entendi direito a diferença desse restaurante para os normais, mas gostei da
ideia. Havia algumas sugestões no quadro informativo do hostel e
resolvemos seguir uma delas.
Caminhamos
até lá, mas foi difícil encontrar. Ficava bem escondido. Ficava no lindo
quintal de uma casa. Muito aconchegante e interessante. Comemos massa e tomamos
um vinho da região. Lógico que não é um programa que eu e Dani costumamos
fazer, afinal, o padrão suíço sai bem caro. Mas aquela viagem era diferente,
não éramos só os dois, e valeu a experiência. Ficamos lá até tarde e quando
chegamos no hotel, fomos dormir logo, estávamos muito cansados.
No dia
seguinte, acordamos relativamente cedo (para os nosso padrões, meu e do Dani,
estava até atarde - umas oito horas), tomamos café no hotel (uma delícia!) e
partimos para o centro de Lugano, onde pegaríamos o ônibus para Tirano, dando
início a rota do Bernina-express! A viagem dura em torno de três horas e é
linda (tá ficando chato isso já), boa parte contornando lagos aos pés das
montanhas e cidadezinhas bem pequenas, com um ar romântico, exatamente como
imaginaria o interior da Itália. Tivemos uma parada rápida em uma dessas
cidades para um café e banheiro. Conversei com a Diane no caminho e ela me
disse que ficasse tranquila em relação aos tênis de hiking, que aonde íamos,
podia-se fazer hiking até de salto alto. Foi o que imaginei.
Chegamos
a Tirano e muita coisa na cidade se referia a sua inclusão no famoso
trajeto - desde cartões postais e souvenirs, até indicações turísticas na
rua. Afinal, era dali que saía o trem bonitão, panorâmico, que fazia a rota.
Nós podíamos passear o quanto quiséssemos, considerando-se que tínhamos o
ticket diário para usar a vontade. Isso era uma grande vantagem, não se
preocupar em perder trem ou coisa do tipo. Caminhamos pela cidade, que pareceu
ser bem pequena (tem menos do que dez mil habitantes) e visitamos a Basílica da
Madona di Tirano, a principal atração da cidade, junto com a Madona de Tirano.
A cidade é conhecida pela aparição milagrosa da Nossa Senhora lá pros idos 1500.
Ficamos encantados e surpresos em perceber como uma igreja pequena, em uma
cidade pequena, poderia ser tão linda. Cheia de detalhes e muito bem
cuidada.
Paramos
também em uma pracinha para comer uns sanduíches que havíamos preparado e
seguimos para a estação de trem para pegarmos o próximo Bernina-Express que
partisse. Para a nossa sorte, já havia um por lá, esperando para partir. E foi
aí que descobrimos uma das coisas mais legais da viagem de trem. O nosso
vagão pobrinho, sem janelas panorâmicas ou nenhum tipo de luxo, tinha uma
vantagem fantástica sobre o super-caro: janelas que se abriam! Foi muito legal
poder ter a possibilidade de colocar o cabeção pra fora num dos trajetos mais
lindos da Europa. Muito mais legal do que ter janelas panorâmicas, na minha
opinião. Eu não posso falar das vantagens do passeio panorâmico, mas ir de
janelas abertas foi demais! E o mais curioso é que o tal vagão de janelas
panorâmicas é muito muito muito mais caro. Na verdade, a nossa viagem
poderia ter sido ainda mais barata (e bem barata mesmo), se quiséssemos
planejar tudo bonitinho, comprando o bilhete para cada trem com horário
marcado, porque aí, compraríamos o supersaver ticket pela metade do preço. É
muito mais legal ter a espontaneidade, é claro, mas se a pessoa quiser muito
fazer o passeio e pagar o mínimo possível, ter horário marcado também não é
nenhum fim de mundo. Aliás, sempre fizemos isso. Provavelmente, se nesse
passeio fossemos só eu e Dani, é o que teríamos feito.
O trem
partiu e eu e Dani já enfiamos nosso carão na janela. Nosso vagão estava
vazio,o que significa que não tivemos que disputar lugar. Para sair de Tirano,
ele passou bem no meio da cidade, contornando a igrejinha, e as pessoas olhavam
curiosas. O Dani tava tão animado que sua principal diversão era acenar para as
pessoas na rua, como se fizesse parte do protocolo, se está dentro do trem, dê
tchauzinho. Mas é o que dá vontade de fazer mesmo quando o trem vai
passando e as pessoas param animadamente para olhá-lo.
No
caminho a Pontresina, passamos por lugares lindos no meio das montanhas,
parecido com a paisagem que vimos na ida a Davos. Passamos também por cima de
pontes altíssimas e bem famosas cruzando os alpes. O lugar mais lindo, onde o
trem inclusive parou por alguns minutos, foi a estação Ospizio Bernina, o ponto
mais alto do passeio - 2.253 metros de altura, ao pé de uma geleira. Lá em
cima, em pleno verão - início de julho - tinha neve cobrindo o pico das
montanhas e estava bem gelado. Vale ressaltar ainda que o ar puro que se
respira nos alpes é perceptível. Pode parecer meio brega, mas realmente estar
naquela paisagem idílica, silenciosa, respirando ar puro, traz realmente uma
sensação de paz. Para completar o visual, também vimos muitas vacas caminhando
por ali num hábito típico alpino. No verão, os pastores levam seus animais para
pastarem nos alpes e retornam aos vales em setembro. Dizem que esta é uma
estratégia muito antiga (antiga mesmo) que os alpinos usavam para preservar os
vales e assim tivessem da onde tirar alimento durante os meses do inverno.
Talvez hoje em dia isso seja mais uma tradição do que realmente uma necessidade
de alimento no inverno. Mas foi bem bonito presenciar as vacas nos alpes, quase
emocionante, eu diria.
Chegamos
a Pontresina e o ar estava gelado, uma diferença brutal para Lugano, é claro! O
nosso hostel era exatamente na frente da estação de trem. Era um hostel da
mesma rede que o de Lugano, mas mais caro, provavelmente, porque nada nas
montanhas é muito barato. Dessa vez, ficamos em um quarto duplo privado, mas
com banheiro no corredor. Era a primeira vez que ficávamos em um lugar com
banheiro compartilhado. Mas até que foi bem tranquilo, o hostel não parecia
muito cheio, era silencioso e os banheiros bem limpos.
Pontresina
fica no cantão Graubünden, numa
ensolarada região cercada por montanhas chamada Engadine. Pelo que vejo, essa
região é uma das preferidas dos suíços, pelo menos da parte alemã. Falam com
maior carinho do lugar, tanto pra esquiar, fazer hiking, comer - e, sim,
há comidas típicas só daquela região, como a deliciosa torta de nozes. E nessa
região, a gente finalmente teve contato com a quarta língua falada na suíça
o
Rätoromanische ou romanche. É claro que hoje
em dia todos falam um segundo idioma e todas as informações estão também
disponíveis pelo menos em alemão. Mas foi interessante, tive a sensação de
estar conhecendo uma parte mais intocada da Suíça, com tradições mais visíveis.
Outra coisa bacana que, segundo as meninas, é bem típico de Engadine, são as
portas e janelas decoradas, parecendo saídas de contos de fadas. A cidade de
Pontresina pareceu minúscula e pudemos andar pela rua principal várias vezes.
As meninas escolheram um restaurante bem bonito para jantarmos. Eu comi uma röstie
de legumes e o Dani uma polenta. Delicioso e, apesar de ser nas montanhas
e parecer bem chiquezinho, não era mais caro do que qualquer outra coisa em
Zürich. Vamos dizer que em um lugar onde o kebab custa pelo menos doze francos,
dezoito francos em um restaurante relativamente chique não é lá tão
caro.
O dia seguinte, nosso último dia, amanheceu chuvoso.
Isso poderia parecer desanimador, mas não fazia sentido deixar de passear. Além
disso, era uma chuva chatinha, mas fraca, dava para encararmos. Pegamos um trem
para uma região ali bem perto (apenas umas duas paradas), chamada Morteratsch, onde havia um
caminho que nos levaria a uma geleira. O caminho era curto e fácil e,
realmente, poderia ser feito de salto alto, mesmo com chuva. E a recompensa era
estar de cara com o gelo eterno. Seguimos por uns trinta minutos em uma trilha
bem aberta. Ao longo da trilha, havia plaquinhas com anos indicando a época em
que a geleira ia até aquele determinado ponto. Fiquei chocada em ver o quanto o
gelo diminuiu em dez anos! E finalmente chegamos a geleira. Não podíamos chegar
tão perto a ponto de tocá-la, porque pode ser perigoso. Mas a visão é incrível,
principalmente se pensarmos que estávamos no auge do verão e aquele gelo nunca
derretia.
Na volta,
já não chovia mais e resolvemos voltar caminhando mesmo. Até porque o trem não
passava ali com muita frequência e, no fim, acabaríamos esperando o mesmo
tempo. O Dani ficou super feliz, porque aproveitou pra treinar bastante o
alemão com a Diane, que teve a maior paciência de ensinar várias coisinhas.
Quando chegamos de volta a Pontresina, pegamos nossas coisas no hostel e
partimos. Estávamos voltando a Zürich, mas como seguiríamos também
propositalmente parte do trajeto do Glacier-express (cujo trajeto completo vai
de Zermatt a St. Moritz), seriam aproximadamente seis horas até que
chegássemos, parando em diversos vilarejos para trocar de trem. Passamos por
mais pontes altíssimas e túneis intermináveis. A minha parte preferida da volta
foi o Grand Canyon suiço ou Rhine Gorge. Eu tinha a maior vontade de ver e não
esperava que fosse ser nessa viagem. São montanhas aglomeradas, brancacentas,
moldadas pelas águas do Reno, que passa por ali, bem diferente de outras coisas
que já vi. Confesso que a essa altura, eu já estava muito cansada mesmo. Fiz um
esforço para curtir e fotografar o Grand Canyon. O Dani chegou a cochilar.
Depois da maratona que começou em Atenas, estávamos realmente acabados. A
chegada a Zürich foi em torno de nove da noite e o dia seguinte seria de
trabalho.















































