sábado, 6 de setembro de 2014

Santorini

A nossa viagem de ida para Santorini seria em um barco bem grande e duraria certa de oito horas. Havia viagens mais curtas, mas a nossa ideia era exatamente poder curtir o visual que, ouvimos dizer, era bem bonito. Chegamos ao porto de Piraeus e não foi muito difícil encontrar o nosso gigantesco barco da BlueFerries. Eu nunca tinha entrado em um barco tão grande! Eram inúmeros andares, diversos restaurantes e cafés, salas com televisão e um enorme espaço para viajar na proa, a céu aberto. Deixamos nossa mala numa sala específica dentro do estacionamento do barco... sim, um estacionamento bem grande, tipo de shopping. Para chegar até o andar principal, pegávamos uma escada rolante e mostrávamos nossas entradas a um guardinha na porta.

O barco estava bem cheio. Nós tínhamos um lugar reservado na parte de dentro, uma poltrona confortável e espaço climatizado, mas preferimos a  princípio sentar no deque. Como ainda havia muita gente chegando no navio, procurando seus lugares e guardando as malas, nós conseguimos facilmente uma mesa perfeita do lado de fora. Logo logo estava tudo bem cheio. Tomamos um café, admiramos a vista e  depois de um pouco mais de uma hora, fomos procurar nossos lugares para tentar tirar um cochilo, afinal tínhamos acordado às cinco da manhã. Mas parecia que ficar na poltrona confortável era muito mais estressante do que lá fora. Além de terem roubado nosso lugar, ainda foi difícil dormir por dois minutos com tantas, mas tantas crianças gritando e correndo bem ali do nosso lado. Imagina só, oito horas dentro de um barco sem qualquer apelo infantil... não há criança que aguente.




Pensamos que, ao voltar para o deque, teríamos perdido nosso lugar e o resto da viagem seria desconfortável, sem dormir e sem vistão. Mas nos enganamos. Ao explorarmos melhor o barco, descobrimos que havia lugares muito do especiais na parte lateral do navio, onde a gente podia colocar nossas cadeiras de frente para o mar, apoiar o pé na grade de proteção e só admirar a vista. Daí em diante foi uma delícia. Só saímos dali para comer alguma coisa. E diga-se de passagem, ao contrário do que esperávamos, a comida do barco não era muito cara, custava a mesma coisa que em qualquer outro lugar. E a água continuava custando cinquenta centavos.

Quando o navio estava para chegar no porto de Santorini, o que vimos era uma ilha com uma faixa estreita de praia, limitada por enormes paredes rochosas por todos os lados. Pelo meio dessas paredes, a gente podia enxergar carros e ônibus passando muito pequeninos. Estavam indo e voltando ao porto. Todos os passageiros, então, desceram para a parte inferior do barco, junto com o motor e com o estacionamento. Ficamos ali, exprimidos, ouvindo o sinal e vendo a porta enorme se  abrir na nossa frente. 



Ficaríamos hospedados  em uma pousada familiar, como muitas em Santorini. Aliás, tive a sensação de que a maioria dos hotéis por ali eram desse tipo. O dono da pousada, um senhor muito simpático e com um inglês impossível de entender, foi nos buscar no porto. Embora Santorini não seja uma ilha tão grande assim, a sua geografia faz com que ir de um lugar para o outro seja, às vezes, um longo caminho, pois as estradinhas circundam os morros rochosos (ou algum outro termo geograficamente correto). E  assim aconteceu, demoramos uns trinta minutos até chegarmos na pousada. 

A pousada era meio que uma vila, com quase todos os quartos se abrindo ao pátio principal. O nosso quarto era muito aconchegante, assim como toda a pousada. A casa dos donos também era ali e a sala de estar servia também de recepção. Pareciam pessoas super simples e foram bastante prestativos. Achamos engraçado estar na casa deles assim, com a TV ligada, filho adolescente passando pela cozinha, vizinho entrando para prosear. Era como se eles não estivessem ali trabalhando e nós fôssemos apenas visitas. 

Coloquei meu biquíni, pegamos umas dicas com eles, um mapa e fomos passear pela cidade. O mapa que eles nos deram era bem engraçado, mas depois percebi que não podia ser muito diferente. Não havia nome de ruas nem nada, apenas o contorno da ilha e onde ficava cada praia. Mas não precisávamos de mais do que isso porque não adianta muito saber nome de rua por ali, a gente precisaria pegar um ônibus da capital Fira pra qualquer lugar que fôssemos. E era justamente em Fira onde estávamos hospedados, mas tínhamos que andar uns quinze minutos para chegar no burburinho. Já eram quase quatro da tarde a essa altura e decidimos pegar o ônibus direto a uma praia qualquer, em vez de ir passear por Fira, o que podia ficar facilmente para mais tarde. 

Os ônibus em Santorini são um capítulo a parte. Existe uma mini-rodoviária no centro de Fira. Todos os ônibus partem ou vão para Fira, o que significa que quem não se hospeda ali, tem que passar por Fira pra ir a qualquer outro lugar. Pra quem tem tempo de sobra, talvez valha a pena, mas pra gente o melhor era estar por perto. Então, cada ônibus na mini-rodoviária ia a um lugar diferente da ilha e para cada lugar, era um valor de passagem diferente. Se não me engano, a mais cara não passava de dois euros. O ônibus era tipo de viagem mesmo e depois que partia, um cobrador vinha de banco em banco cobrando o valor e nos dando o ticket.

Olhamos o mapa para decidir a que praia ir. Queríamos fugir da mais badalada e acabamos escolhendo ir a Perissa. Quase trinta minutos de viagem, girando em torno dos morros, andando quase sempre nas partes altas da ilha, cruzando ruas áridas, sem nada em volta e com a linda vista das praias lá embaixo. Um pouco antes de Perissa, mas bem pertinho, havia uma outra praia chamada Perívolos, parecia bem bonita e resolvemos ficar por ali mesmo. Talvez por ser fim de tarde, a praia não estava muito cheia. Deixamos nossas coisas na areia e corremos para o mar. O mar em Santorini é calmo e, em muitas partes, a água é cristalina  e de uma cor esverdeada muito bonita, talvez pela quantidade de pedras no fundo. Aliás, por causa das pedras, todo mundo entrava no mar com chinelos ou sapatinhos especiais. A gente achou meio que exagero. Deu para curtir bastante aquele dia. O chato foi que Santorini não estava tão quente quanto Atenas e, perto do mar, ventava bastante. Então, toda aquela secura de mergulho diminuiu bastante. Mas, mesmo assim, foi bem relaxante.

Saímos de lá varados de fome e ainda tínhamos que passar no mercado e comprar algo para o café da manhã. Os ônibus não ficam passando toda hora, afinal, é uma ilha, e não dá para ter muitos ou o trânsito não anda. Esperamos uns quinze minutos e pegamos o ônibus de volta a Fira. Fomos finalmente dar uma volta por ali, onde ficava toda a badalação de Santorini. E são muitas ruazinhas bem estreitas, cheias de gente, de lojas e restaurantes, um charme. Um pouco difícil de se encontrar ali, tá certo, mas a verdade é que cada esquina errada tem uma recompensa. Acabamos entrando na "borda" de Fira, de onde dava para ver o mar e as famosas casinhas brancas de teto azul descendo pelos morros. E chegamos bem na hora do pôr-do-sol, que , dizem, ser um dos mais bonitos do mundo. Um espetáculo! Foi muito mágico estar ali. Santorini tem muitos, mas muitos turistas e todo mundo parece de alguma forma estar relaxado e de bem com a vida (óbvio, estão de férias na Grécia).



Não poderíamos perder aquele pôr-do-sol, então, só fomos, de fato, voltar a caçar um mercado e um lugar para comer depois disso. Santorini não é tão barata quanto Atenas, então, não dava para sair entrando em qualquer lugar. Como estávamos cansados e com muita fome, também não estávamos com muito saco para procurar nada e acabamos optando por uma pizzaria, muito boa por sinal. Comemos uma pizza meio que de salada grega, porque tudo que tem na salada grega tinha em cima da pizza, incluindo o meu queridinho da semana - o queijo feta.

Na volta para o hotel, passamos mais uma vez pelas ruelas de Fira, que ainda fervia. Mas nós queríamos mesmo era ter energia para acordar cedo no dia seguinte. O caminho do hotel seguia uma rua sem calçada onde era possível ver a loucura do trânsito de Santorini.  Como os ônibus por ali não são muitos e tem intervalos regulares, nem sempre é possível atender as vontades de todos. Muitas pessoas preferem alugar carros, pois assim se pode ir e voltar pra onde quiser na hora que for. Chega a ser estranho numa ilha onde as estradas são relativamente estreitas e em cima de penhascos haja tantos carros e tantas lojas de aluguel de carros. Muita gente traz seus próprio carros dentro dos barcos, muito comum. No nosso barco mesmo, tinham muitos. Isso é uma coisa muito negativa na minha opinião, porque acho que em breve, não vai ter mais espaço para tanto carro e o trânsito na ilha ficará impraticável. Por outro lado, sem os carros, os ônibus certamente não seriam suficientes para tanta gente. Muitos preferem alugar os quadriciclos e motos, o que faz com que sejam uma praga em Santorini. Pelo que percebemos, qualquer um pode chegar ali e alugar um. Acho bastante perigoso, porque, muitas vezes, em ruas sem calçada onde os pedestres estão o tempo inteiro pra lá e pra cá, esses quadriciclos passam velozes, se desviando de carros e até dos próprios pedestres. Afora o risco de dirigirem à noite na beira daqueles penhascos. Tudo isso foi só para dizer que o caminho para o hotel era sempre com essas emoções, olhando para trás a cada barulho de moto. Uma coisa meio carnaval na Região dos Lagos.

No dia seguinte, conheceríamos a famosa praia vermelha de Santorini. Eu tinha visto umas fotos lindíssimas e estava ansiosa. Pegamos um ônibus em direção a Acrotiri e saltamos no meio do caminho. Dali, fomos seguindo placas e chegamos até lá em uns quinze minutos. Algumas partes do caminho eram meio que trilhas sobre rochas vermelhas, mas sem grandes dificuldades. Na verdade, a gente chega por cima da praia e vê aquela belezura toda lá de cima. Um mar de um azul que eu nunca vi, cercado por um semicírculo de rochas vermelhas. Essas rochas formavam um paredão côncavo muito alto e dava a impressão de que a qualquer minuto desmoronaria. Interessante que, na parte final da praia, o paredão não era mais vermelho e sim branco. Por isso, aquelas eram, na verdade, duas praias, a praia vermelha e a branca.


Descemos e ficamos ali um tempinho. Ventava muito e muitas pedrinhas voavam da rocha, era um vento vermelho. Eu já estava achando que o paredão iria deslizar a qualquer minuto. A água estava uma delícia, mas entrar no mar era tarefa difícil porque as pedras eram enormes e machucavam o pé. Tivemos que entrar agachados e ficar quietinhos lá dentro. Ali sim talvez eu não recusasse os sapatinhos especiais, acho que dariam uma boa ajuda. Como ventava muito e era difícil ficar no mar, acabamos não ficando muito por ali e seguimos para pegar o ônibus. E saímos na hora certa, porque no caminho até o ponto, passaram muitos carros, motos e quadriciclos. Eu nem sei como coube tanta gente naquela praia minúscula.

Dali resolvemos ir a Perissa, a outra praia que ficava a quinze minutos andando de Perivolos, onde a gente tinha ido no dia anterior. Praia bem bonita, limitada em um dos lados por um paredão enorme. Dentro do mar, o chão aprecia ser todo de uma grande pedra clara e escorregadia. Talvez fosse resquício de lava vulcânica. Ficamos ali o resto da manhã inteira e foi muito divertido. Quando já estávamos com fome, fomos procurar algo para comer. Queríamos comer algo por ali mesmo e continuar na praia à tarde. Muitos restaurantes atendiam na areia, onde há fileiras de espreguiçadeiras e guarda-sóis. Era ali que a gente queria ficar. O problema é que os restaurantes, muitas vezes nem tão caros, queriam nos cobrar dez euros a mais para ficarmos na espreguiçadeira. Então, fomos atrás de um que oferecesse o serviço de graça, o que fomos encontrar já em Perívolos. E foi uma tarde incrível. Comemos e bebemos vinho ali de frente pro mar, na maior paz. Por incrível que pareça, as praias não estavam muito cheias. A  gente saiu de lá umas seis da tarde, mas teríamos ficado muito mais se não estivéssemos atrás de uma das atrações obrigatórias de Santorini - o pôr-do-sol em Oia (ou Ía, como dizem os gregos), considerado o melhor ponto para assistir ao pôr-do-sol considerado o mais bonito do mundo. 





A trajetória não era simples. Tivemos que pegar o ônibus de Perívolos a Fira e, de lá, para Oia. A essa hora, a fila do ônibus para Oia estava enorme. O caminho todo até Oia  partindo de Perívolos deve ter levado mais de uma hora. Oia fica bem na pontinha de Santorini, meio isolado de tudo mesmo, e é considerada a parte mais romântica da ilha. É lá o lugar mais procurado para viagens de lua-de-mel, por exemplo. E dá pra entender o porquê de tudo isso. Oia é encantadora! Para quem quer ver as tais casinhas brancas de telhados azuis é o melhor ponto definitivamente. Quando chegamos, já estava cheio de gente, parecia reveillon, todo mundo arrumado, tomando champagne, vinho ou cerveja e procurando a melhor posição para enxergar o espetáculo. Algumas ruas, muito estreitas, eram intransitáveis.  Escolhemos ficar em um terraço com poucas pessoas e de onde teríamos uma boa visão para o sol e também para a cidade de Oia. Dali, pudemos babar nos hotéis incríveis, com piscina na varanda do quarto e espreguiçadeiras voltadas para o mar. Ficamos com invejinha.








A nossa posição podia até não ser a melhor do mundo para ver o tal do imperdível pôr-do-sol, mas deu conta muito bem do recado. Depois de muita espera, eis que o céu começa a mudar de cor, meio rosa, meio laranja, nem sei. Acho que a beleza do espetáculo  tem uma grande ajuda do espetáculo a parte que é Santorini. Como não se sentir num sonho admirando um lindo pôr-do-sol, em uma ilha vulcânica, relativamente no meio do nada? Realmente era um conjunto de coisas e eu tinha que a toda hora me lembrar de aquilo era real. E para completar o 'reveillon', na hora do pôr-do-sol, muitos casais se beijaram. 




Nós voltamos logo depois que o sol se pôs. Vários ônibus vazios esperavam as pessoas e, mesmo assim, voltamos em um ônibus cheio. Como no verão o sol se põe bem tarde, preferimos passar no mercado e comer alguma coisa no hotel mesmo. O  dia seguinte seria o último, o nosso barco partiria para Atenas às 17h. Queríamos poder aproveitar bastante.

Acordamos cedo, deixamos tudo arrumado e fizemos o check-out. O chato de tudo isso era que só poderíamos tomar banho quando chegássemos em Atenas! Mas a praia era relativamente distante e não teríamos como curtir o  dia caso voltássemos para tomar banho. Então, topamos o sacrifício. Passamos a manhã toda na praia - Perívolos mais uma vez. Acho que essa acabou sendo a nossa preferida no fim das contas. Tentamos aproveitar cada segundo daquelas últimas horas naquele lugar tão especial. Saímos na hora do almoço e voltamos a Fira, onde comemos uma pizza (a grega de novo) e fomos dar voltas pelas lindas ruelas. Andamos por dentro das ruas estreitas e na beira das falésias, de onde podíamos ver a ilha quase todo. Conhecemos finalmente o teleférico que leva os turistas até o ponto de partida dos passeios de barco.  Vimos também os burros de carga, usados como alternativa para transporte de turistas para os mesmos passeios de barco. Achei absurdo as pessoas acharem charmoso, pitoresco ou sei lá o que passear nos pobrezinhos. Eram ladeiras bem íngremes e o chão não parecia dos mais confortáveis. Enfim, não sei como isso ainda existe. Fiquei morrendo de pena.












O passeio em Fira foi bacana, mas a gente acabou se perdendo pra caramba nas tais ruazinhas. Precisamos pedir informação mais de uma vez no caminho, pegamos um atalho por dentro de um hotel  (quase aproveitamos para entrar na piscina e pedir uma bebida) e finalmente nos achamos de novo. Aí já era hora de voltar ao hotel e pegar as nossas coisas. O dono da pousada nos levaria mais uma vez ao porto. Estávamos em clima de despedida, de Santorini e da Grécia. O chato era que, a partir de então, já estávamos no caminho de volta. Passaríamos em Atenas apenas para dormir e ir ao aeroporto na manhã seguinte.


O clima de despedida e nostalgia durou só até chegarmos no porto e descobrirmos que o nosso barco atrasaria umas duas horas por causa dos fortes ventos daquele dia. A  gente estava muito cansado, doidos para chegarmos no hotel e tomarmos um banho. No dia seguinte, sairíamos do hotel das seis da manhã. A viagem de Santorini a Atenas levaria em torno de três horas (com os ventos, poderia ser até mais). Fiquei muito desanimada com a notícia. E o porto de Santorini é um ovinho, sem nenhum grande conforto. No fim, partimos de Santorini mais de oito da noite e chegamos em Piraeus quase meia-noite. Andamos o mais rápido possível até a estação de metrô. A vizinhança não parecia das mais aprazíveis, principalmente àquela hora da noite. Estávamos preocupados, porque a chance de o metrô já ter fechado eram grandes e não tínhamos dinheiro suficiente para pegar um táxi. Preríamos procurar um caixa eletrônico que funcionasse para sacar dinheiro - o que não parecia ser a mais segura das decisões. Não sei qual o real perigo daquele lugar, talvez fosse assustador, mas inofensivo, não sei. Chegamos no metrô e estava aberto. Era o último trem e não daria tempo de comprarmos os tickets, o que me deixou desolada. Mas fomos incentivados aos ficais do próprio metrô a entrarmos no trem, deixar o ticket pra lá. Eu estava tão cansada e tão louca para chegar ao hotel, que não vi outra opção. Fui até a estação de Monastiraki preocupadíssima com a possibilidade de que algum fiscal nos cobrasse os tickets. Mas nada aconteceu e chegamos! A praça ainda estava bem ativa àquela hora. Mas só queríamos saber de chegar ao hotel. Para nossa alegria, a lanchonetezinha ao lado do hotel ficava aberta 24 horas por dia e pudemos comer alguma coisa antes de dormir e comprar alguma coisa para o café da manhã. Aquela foi uma das noites mais curtas da minha vida. Botei a cabeça no travesseiro e acordei para irmos ao aeroporto. Minha ansiedade agora estaria toda voltada para chegar em Zürich e dormir. 


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