sábado, 6 de setembro de 2014

Summer days

Assim como tivemos um inverno mais quente do que o normal e neve na primavera, o verão não podia chegar assim tão convencional. Foi assim que, ainda na primavera, o calor começou a aumentar muito, chegando a uns 35 graus. Logo, as pessoas começaram a abusar dos shortinhos, estampas e chinelinhos, mesmo no trabalho. Começava a chegar a época de fazer grill na beira do lago e dar um mergulho. As pessoas ficam realmente muito motivadas. Na segunda-feira, já começam a festejar porque no fim de semana a temperatura chegará a 30 graus. 

A nossa primeira experiência de verão foi com uma brasileira que conhecemos aqui, a May. Ela chamou a gente pra um grill no lago, no parque perto do Zürich Casino. Ela e o marido levariam a churrasqueira e algumas coisas para assar. A gente podia levar o que quisesse também. Passei no mercado e comprei um bando de coisa: milho, queijo, champignon, pimentão, tudo para colocar no grill. Coloquei o biquíni e fomos. Eu estava super esperançosa com a possibilidade de mergulhar no lago pela primeira vez.

Escolhemos um lugar na graminha, o que não foi fácil, considerando que o lugar estava lotado, e espalhamos nossas coisas. O marido dela não estava lá e sofremos um bocado, eu, ela e o Dani para colocarmos fogo no carvão. Ninguém sabia como fazer aquilo, um mico. Precisamos pedir ajuda pra um grupo de gringos do nosso lado. Depois de uns quarenta minutos e já famintos, finalmente conseguimos colocar alguma coisa para assar. Nesse tempo, ficamos nos enchendo de pão com vinagrete.






E, a nossa volta, todos os grupos de pessoas tinham o seu grill aceso, com potinhos de comida e bebidas. No Brasil, seria considerado uma farofada, mas aqui é mais do  que normal. E eu gostei muito da ideia de poder cozinhar a minha própria comida, sentada na grama, num dia bonito daqueles, olhando para os alpes. Até pensei em comprar um grill pequeno (aqui alguns saem a uns 20 francos, com mochilinha para transportar e tudo) e depois levar pro Brasil, mas acho que ocuparia um espaço muito grande na mala. Bem, além de ser normal levar o grill para assar comidinhas para a "praia" de Zürich, é muito normal também que o churrasco do suíço não seja feito só de carne, pelo contrário, é até bem diversificado, independentemente da pessoa ser vegetariana ou não. Pelo que notei, tem sempre uns salsichões e, às vezes, uns pedaços de carne, mas também é cheio de legumes, cogumelos e queijos. Eu vi até quem tivesse levado comidinha para acompanhar. Não tem essa de comer só carne e tá bom. Aliás, surpreendentemente, conheci um bando de gente aqui que não liga pra carne, que come, mas não faz questão, que só come de vez em quando.

Curioso também era observar a habilidade incrível que o povo daqui tem de trocar de roupa discretamente (nem sempre tão discreto) na frente de todo mundo. E eu digo trocar de roupa de verdade. Eles simplesmente chegam no lugar com uma roupa normal, com roupa de baixo etc, e colocam a roupa de banho ali mesmo, ficam peladões. Alguns são um pouco mais tímidos, se enrolam em uma toalha e trocam assim. Mas a maioria, troca de roupa sentado mesmo. Como se o fato de estarem sentados impedisse que as outras pessoas vissem algo a mais. E assim eu vi gente de todas as idades, homens e mulheres, simplesmente arrancando a roupa, incluindo calcinha ou cueca, e colocando o biquíni ou sunga. Pronto,simples assim. E essa técnica toda é por conta da parte de baixo, porque a parte de cima não precisa de tanta frescura. E daí eu fiquei me sentindo a pessoa mais pudica do planeta, porque estava muito surpresa com a falta de vergonha das pessoas. Segundo o marido da May, que apareceu depois, só os brasileiros tem problema com isso. Os suíços são acostumados desde o jardim de infância a trocarem de roupa e tomar banho juntos, sem problemas, sem pudores. 

Bem, com tanta novidade acontecendo, o sol começou a ficar mais fraco e eu perdi a coragem de entrar na água. Já não estava mais tão quente. Mas não estava chateada, o dia tinha sido muito muito agradável. Voltamos pra casa muito prosas com o nosso, digamos, primeiro dia de verão na Europa. 

No dia seguinte, acordamos tarde e fomos conferir como estava o rio perto da nossa casa. Diziam que era bem movimentado por lá nessa época do ano. Chegamos lá e, realmente, estava completamente lotado. Parecia ser um lugar mais frequentado por jovens, principalmente adolescentes. Eles pulavam do alto da ponte para o rio e faziam todo tipo de loucura. A gente ouviu dizer que a graça de nadar no rio é que você pode entrar em um ponto e deixar a correnteza te levar até  outro ponto. Mas me disseram também que a melhor coisa é ir com alguém que conheça o rio, porque há pontos onde que podem ser perigosos. Assim, a gente só foi até lá para dar uma olhada rápida e matar a curiosidade, mas não entramos. Além disso, estava muito muito cheio, mal teríamos um lugar para sentar.

E, finalmente, dois dias depois, quando estava ainda mais quente, eu fui de novo com a May ao lago, mas dessa vez pra outro lago, o Katzensee. É um lago menor, no meio do mato. E, por ser menor, a temperatura da água não é tão baixa. Talvez exatamente por isso, o lago fique bastante cheio também, mesmo sendo um pouco longe do centro. O Dani não quis ir, porque estava muito irritado com o calor. Eu queria mais era sair de casa e poder mergulhar afinal. Não fiquei o dia inteiro no lago dessa vez, mas foi o bastante para mergulhar e até dar uma nadada. Me senti o Chico Bento, nadando naquele pequeno lago, cheio de mato em volta. 






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