domingo, 8 de junho de 2014

Zürich Flughafen

O aeroporto de Zürich é um lugar extremamente marcante pra mim. Parece que toda vez que entro ali, me dá aquele arrepio porque me vem a mente dias de fortes emoções. Afinal, é um aeroporto, ora, típico cenário de despedidas e reencontros, alvo de todo tipo de comercial de TV, com musiquinha triste de fundo, daqueles que dão vontade de chorar. Na nossa viagem ao Peru, lembro de estarmos numa fila interminável para o embarque e, bem na nossa frente, um menino que provavelmente não tinha chegado aos dezoito ainda, chorava e não conseguia parar a despedida dos pais. Aquela cena me marcou, porque eu fiquei me imaginando naquela cena, já que tinha a minha vinda para Zürich quase certa àquela época. Dadas as devidas proporções, é claro, porque eu parti do Brasil com meus 31 anos, não era nenhuma jovenzinha mais, mas, por outro lado, sei ser a pessoa mais dramática do planeta. 

Acabou que minha despedida do Brasil foi emocionada, é claro, mas eu estava tão tão nervosa com tanta coisa nova por vir, com tanta coisa que tinha que funcionar até entrar no meu apartamento em Zürich, que a emoção ficou presa na garganta. Eu estava muito ansiosa. Queria ir logo e ver no que ia dar. Além disso, eu estava me despedindo de todos, uma coisa difícil de concatenar, pois, de um dia por outro, durante um ano, todas as pessoas da minha vida, iriam mudar. Seríamos só eu e o Dani. Eram sentimentos diferentes misturados. A gente chorou um pouco no avião. Pensando no tamanho que toda aquela mudança tinha para gente. 

Daí o aeroporto de Zürich foi nossa porta de entrada. Até ali, ele nos lembrava aquele dia engraçado e cansativo, quando a gente não tinha muita ideia do que fazer, quando passamos uns dez minuto com os bilhetes na mão sem saber que trem pegar. Não sabíamos nada de Zürich ainda e nem de nenhum lugar da Europa. Esse dia, logicamente, foi muito marcante.

Depois disso, o próximo dia perturbador naquele aeroporto foi o dia que o Dani  voltou para o Brasil. Um dos dias mais tristes que já vivi. Ok, pode parecer um exagero falar uma coisa dessas. Mas eu fui uma pessoa muito muito sortuda até agora mesmo, ué! E posso dizer que ver o Dani indo embora pra ficar três meses longe  foi realmente um dos dias mais tristes na minha vida. Isso, para muita gente, é mamão com açúcar, rotina. As pessoas vão e voltam do mundo com uma facilidade incrível. Para mim, foi uma tristeza, uma facada no peito. Devastador levá-lo até lá, vê-lo partir e voltar sozinha pra Zürich. No fim das contas, ele estava de volta em um  mês, mas aquele ranço de tristeza no aeroporto de Zürich continuava encruado. Entro ali até hoje e me lembro imediatamente daquele dia.

Voltei lá outras vezes para buscar o Dani e pra buscar os meus pais. E o reencontro é tão, mas tão mais fácil, que não fica tão marcante pra mim. É muito fácil ficar feliz, é muito normal. Eu vi o Dani de novo depois de um mês sofrido e parecia que nunca tínhamos ficado longe. Encontrei meus pais depois de seis meses e parecia que sempre estiveram comigo. Normal. 

Mas a despedida. Ah, a despedida é sempre cruel. A despedida coloca o aeroporto de Zürich lá no topo dos lugares de  que tenho trauma. Daí eu me arrepio e sempre faço o mesmo comentário "Lembra, Dani? Lembra daquele dia?". Acho que vou sempre contar a história desse dia repetidas vezes, até as próximas gerações. Eu sempre falo da minha volta dramática pra casa e o Dani da dolorosa viagem de avião.

E agora lá fui eu de novo me despedir dos meus pais. Engraçado como desde que chegaram, há dois meses, a presença deles era normal pra mim. Claro, depois de 31 anos o que não era normal era eles não estarem por perto. Mas aí umas duas semanas antes de eles terem que voltar, eu comecei a sentir aquele incômodo, de ter que vê-los na televisão de novo. Não ia mais ter eles por ali todos os dias, puxando conversa; nem o meu pai perguntando todos os dias o que eu quero do mercado; minha mãe perguntando se eu quero ajuda; não tem mais passeio de fim de semana, nem idas ao Migros, nem noite de vinho e cerveja; não teria  mais jantar na varanda com eles; não iria mais vê-los se sentindo super locais em Zürich, andando pra lá e pra cá e voltando a Bellevue - o posto 9 de Zürich, como sempre diziam.  Não tem mais como passar em Bellevue e não lembrar deles. Em outubro, estaremos todos juntos de novo, mas esse tempo aqui em Zürich foi único. Mais uma vez, cheguei no aeroporto acompanhada e cheia de mala e voltei pra casa com um enorme vazio. 










Nenhum comentário:

Postar um comentário