terça-feira, 24 de junho de 2014

Säulifescht



Eu nunca fui uma pessoa de grandes festas na faculdade. Até da chopada da minha própria turma eu tentei escapar. Pequenas reuniões com uma meia dúzia de pessoas mais próximas me atraem bem mais. No entanto, já que estou em Zürich tão motivada a vivenciar as experiências locais, topei ir a festa mais conhecida da veterinária daqui. Trata-se de uma festa chamada Säulifescht (algo como "festa do porco"), organizada pelo terceiro ano, para arrecadar fundos para o baile de formatura. Essa festa é cheia de atrações e a mais famosa é a corrida de porcos. Sim, parece esquisito, e eu estava curiosa a respeito. Além disso, havia muita comida e bebida,um show com uma banda de alunos e ex-alunos da própria faculdade e o super tradicional cabo de guerra entre os tratadores de vaca e os de cavalo. Mais cedo, teve também um jogo de vôlei, mas esse eu ainda estava em horário de trabalho e não pude acompanhar.

Segundo a Andrea, depois que todas as atrações acabam e só fica a bebida e a pista de dança, as pessoas ficam muito loucas! Mas essa parte eu não fiquei para ver. Bem, mas vamos a super aguardada Säulifescht! Com certeza, muito diferente das festas universitárias que eu já vi no Brasil.

Primeiro, assim que chegamos, resolvemos comer alguma coisa e, então, eu me deparei com um verdadeiro jantar. Você podia optar por ir a barraquinha de batatas fritas e comer apenas uma porção de batatas fritas com páprica. Ou podia optar pelo jantar mesmo. A Andrea me disse que o menu do jantar era churrasco de carne de porco e salada. Como eu não estava interessada no churrasco, achei que seria uma boa ideia pedir uma porção de batatas fritas para comer com a salada. Fui na fila da batata e depois na fila da salada. Aí descobri que o que chama de salada aqui é tudo que é acompanhamento da carne - arroz, salada verde, batatas cozidas, salada de feijão, fatias de pão... Eu nem precisava ter me preocupado com as fritas. 

Depois de comermos, fomos a tão esperada corrida dos porcos. Eles haviam montado uma estrutura no meio do campus e trouxeram uns porcos já treinados, junto com um locutor. As pessoas podiam apostar no porco que acreditavam que fosse ser o vencedor. Fomos lá dar uma olhada nos porcos antes de começar a corrida e um deles, de cor roxa, estava bem animado. "Esse vai ganhar", eu disse, ele está muito agitado e curioso. Andrea disse que eu devia apostar, porque se eu não apostasse, ele com certeza iria ganhar e eu ficaria aborrecida. Mas eu não quis, estava curiosa em vê-los correndo, mas na verdade não sou nada fã dessas coisas. Aí começou a super corrida, que nada mais era do que um locutor berrando e um cara tocando os porcos para que corressem. Não, eles não corriam atrás de um petisco ou coisa assim, mas, relativamente calmos, seguiam as ordens do cuidador. E, no fim, ganhou mesmo o roxo. Mas eu não liguei, não queria mesmo apostar em ninguém. 

Bem, a próxima atração era o showzinho da tal banda da faculdade, que seria simplesmente na sala do anatômico! Afinal, estava chovendo do lado de fora e não seria possível utilizar o palco. Mas, pelo menos, não estava fedendo. A gente foi uma das primeiras a chegar e logo foi sentando em uns banquinhos. O show começou e as pessoas inicialmente estavam todas para os cantos, ninguém dançando. A banda só cantava músicas em inglês (apenas uma em francês) e nenhuma era hit da moda, mas, ainda assim, o pessoal estava curtindo bastante. A única que eu conhecia era "let the sunshine in" e que me surpreendeu bastante, já que, embora clássica, não é uma música muito popular hoje em dia. Lá pro meio do show,algumas pessoas começaram a se soltar e dançar lá no meio. E como dançavam mal. Eu achei que essa história de ginga era mito, mas me pareceu verdade nesse dia. As mulheres eram completamente robóticas, bem piores do que eu, por exemplo, que já sou ruim. Embora não tivesse dançado, me senti uma J-Lo naquele dia. A única pessoa que dançava bem naquele meio era o menino grego, que acabou sendo o único homem dançando e dançou com todas as mulheres. 

Quando acabou o show, eu comecei a pensar em ir embora, mas a Andrea me falou pra esperar pelo menos o tal do cabo de guerra. Como nem todos os tratadores estavam ali, eles resolveram fazer times mistos, com quem quisesse participar. Eu nem estava lá tão a fim, mas acabou sendo bem engraçado. Um time cheio de meninas lindas e loiras, com cabelos esvoaçantes corria para ficar de um lado da corda. Do outro, um bando de brutamontes de macacão e umas mulheres mais corpulentas. Não podia ter sido de outra forma. Acabou com as loiras caindo no chão e ficando ensopadas de lama. Tiveram várias rodadas e muita gente suja de lama. 

Ainda iria começar um outro show, mas estava ficando tarde e eu preferi voltar pra casa. Depois fiquei sabendo que dali em diante não teve mais nada de interessante, provavelmente, apenas os bêbados.  Mas foi divertido pra mim.

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