Desde o início do ano se discute nos Group Meetings semanais sobre a tal da labtrip. A labtrip aparentemente ocorre todos os anos e é uma espécie de daytrip para confraternização da equipe. Só que normalmente essa confraternização se dá no início do ano. A Andrea, que também trabalha na clínica da faculdade, me contou que a labtrip de lá foi um dia de ski, ou seja, ainda nevava! Passamos por inverno, primavera e verão e finalmente quando entrávamos no outono, a ideia da viagem começou a tomar forma.
Embora a labtrip seja normalmente um passeio de um dia, no nosso caso, como o laboratório de rotina não pode simplesmente parar de funcionar, precisávamos marcar alguma coisa para o fim do dia. E passaram-se meses até que se conseguisse chegar a alguma conclusão. Ninguém se decidia que tipo de programa, local, a que horas e em que dia. Foram meses de votação e de doodles indo e voltando, com mudanças de data.
Finalmente, decidiu-se por um curso de confeito de chocolates. Depois disso, todos iríamos para um jantar, servido no próprio local. Para não dizer que não era assim uma viagem, o local fica em outra cidade - Stäfa, a uns quarenta minutos de Zürich. Eu peguei carona com a Sarah, junto com Andrea e Angelina. Stäfa é uma cidadezinha perto do lago e o caminha para lá era muito bonito, beirando campos verdes, margeando o Greifensee e, no final, com uma linda vista para o lago e para as montanhas.
O local chama-se Maison Truffe e, pelo que entendi, oferece diversos tipos de cursos e eventos culinários para todos os públicos. Além disso, o prédio onde funcionava era bem grande e, logo na entrada, havia uma loja enorme, vendendo as coisas mais bacanas do mundo para cozinha. Algumas eram bem caras, como o conjunto de facas a 1000 francos, mas na sessão de promoções, encontrei itens incríveis a um franco! Inacreditável! Eu queria sair comprando tudo, mas como não tenho espaço na mala para voltar ao Brasil, fiquei apenas babando. Para não dizer que não comprei nada, comprei um avental estiloso para cozinhar.
Passada a loja, seguimos até o local onde seriam preparados os chocolates. Tratava-se de uma enorme cozinha com várias bancadas e chocolate para todos os lados. A gente aprendeu algumas coisas básicas do preparo e depois confeccionamos nossos próprios chocolates. Cada um tinha direito a trezentos gramas de chocolate, o que correspondia a umas 24 unidades, dentre trufas, barrinhas e nuts caramelizadas. Depois da introdução do básico, escolhemos nossas 24 peças para confeitar. A ideia era bem simples: a gente jogava o chocolate na calda (um balde enorme) e depois decorava como quisesse. As opções eram as mais diversas - confeitos de todos os tipos (coração, estrelinha, granulado), polvilho dourado, folhas adesivas para decalque de desenhos etc. Aprendemos também a técnica de criar pontinhas nas trufas e fiquei surpresa de quão simples é - após mergulhar a trufa na calda, espera-se um pouquinho (não pode esperar muito!) e gira ela sobre uma grade. Pronto, sua trufa tem pontinhas! O meu preferido de todos foram os confeitos personalizados com o cone de papel manteiga: enchíamos o cone com a cauda e aplicávamos como queríamos - eu fiz corações e flores.
Os meus chocolates foram definitivamente os mais feios de todos, pareciam ter saído direto do jardim de infância. Não era apenas o fato de eu não levar jeito (isso também!), mas a verdade é que eu não tenho lá muita paciência de ficar fazendo mil detalhes. Eu faço uma vez e fico satisfeita. A Sarah, por exemplo, foi a última a terminar, preocupou-se com cada detalhe e deve ter usado todos os tipos de decoração disponíveis. No final, pareciam doces de casamento. Os meus eram feiosos, mas estavam divinos! Pretendo até arriscar repetir a receita quando voltar. Quem sabe não consigo fazer um agrado aos meus chegados.
Depois da preparação dos tão esperados chocolates, fomos ao jantar. Haviam preparado um delicioso buffet self-service de comida asiática (que eu adoro!), com duas opções de carne e uma opção vegetariana. Tomamos um ótimo vinho para acompanhar, mas a comida era tanta que não se bebeu nem um terço da garrafa. O resto eu prontamente levei para casa. Nada de desperdício. Depois de tudo, ainda prepararam quentinhas para que levássemos o resto da comida.
A volta para casa, em torno de dez da noite, foi pela beira do lago, com uma vista linda das pontes e igrejas iluminadas. O Dani foi me buscar na estação de trem e ganhou sua recompensa por uma noite sozinho em chocolates e comida asiática. Estava bem cansada aquela altura, mas adorei a nova experiência!












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