quarta-feira, 9 de abril de 2014

Raclete

Eu estava super animada para preparar jantares tipicamente suíços para os meus pais quando viessem. Fiquei contente porque, no atual apartamento, tínhamos todo o apetrecho para fazer foundie e o grill específico para o tradicional raclete. A terceira opção, a rösti, não precisava de nada especial, apenas a mão na massa. Bem, para não correr o risco de errar, optei em estrear com o raclete, que era mais fácil. Na verdade, eu nunca tinha ouvido falar em raclete antes de vir para a Suíça, para ser bem honesta. Então, aí vai a explicação de uma novata: o raclete consiste em uma fatia grossa de queijo derretido (queijo de raclete) e temperado em cima de uma batata grande, cortada pela metade, longitudinalmente. Os acompanhamentos tradicionais são os picles, não só os tradicionais de pepino, mas também de outros legumes. Algumas pessoas incluem bacon, presunto, cogumelos, etc. A graça do raclete é que cada um meio que cria seu próprio raclete. Assim: você coloca a sua fatia de queijo numa pazinha, polvilha os temperos que desejar e o que mais quiser (Cebola, bacon, pimentão, champignos) e enfia num espaço no grill próprio para aquela pá. Quando o queijo derrete, você coloca em cima da batata e está pronto!

E lá fui eu providenciar os ingredientes. Cheguei em casa carregada de compras. Estava imaginando um belíssimo jantar. Não deixei meus pais ajudarem em nada na cozinha. Eu e Dani cozinhamos as batatas, cortamos o queijo em quadrados e separamos os picles (pepino, milho e aspargos), azeitonas e palitos de cenoura crua em potinhos. Aliás, embora a cenoura em palito e os picles não pareçam muito atraentes para algumas pessoas, eles são muito comuns nos aperos na Suíça, estão sempre lá, servidos com um molho tártaro ou acridoce. Então, para manter a característica do jantar, eu os incluí como "side-dishes", com molho acridoce e uma mostarda alemã. Para completar, cortamos cebolas e pimentões e preparamos cogumelos na manteiga. Tudo pronto para começar o raclete. 

Depois de colocar a mesa, eu fui ligar o Grill para começarmos a nos divertir  inventando nossos racletes. Mas a decepção foi total quando eu descobri que a tomada do Grill não se encaixava em nenhuma tomada ou adaptador da casa. Ela era mais gordinha do que o normal. Pra puxar mais eletricidade, disse o meu pai, mas eu não queria saber o porquê, fiquei furiosa! E agora?! O que seria do meu raclete?! Fiquei uma meia hora esbravejando até me dar por vencida e me convencer de que teríamos que pensar num plano B. O Dani até tentou me convencer a guardar tudo e fazer no dia seguinte, pois teríamos tempo para comprar um adaptador. Comemos uma pizza, ele disse. Não, não, não. Vamos comer um raclete improvisado, mas vamos comer raclete. 

Coloquei as metades das batatas em um tabuleiro, joguei o queijo e os temperos por cima e pus no forno. Refoguei a cebola e o pimentão e depois levei tudo pra mesa. Fizemos nosso raclete fora do Grill mesmo. Cada um misturou seus ingredientes preferidos no próprio prato e se deliciou com a sua criação. No fim das contas, foi bem divertido e até menos trabalhoso. Eu fiquei feliz com o resultado do meu primeiro jantar oficial suíço.



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