sexta-feira, 21 de março de 2014

Basel

A viagem a Basel seria a nossa primeira viagem de trem. Dessa vez, chegamos quase uma hora antes do horário de partida. Acho que foi o trauma da semana anterior. Além disso, a Zurich Main Station (HB) é enorme e eu estava com medo de ficar completamente perdida.
Entramos no trem e, mais uma vez, ninguém pediu nada, não olharam passaportes, bilhetes, nada. Cinquenta minutos e estávamos em Basel, cidade na fronteira com a França e Alemannha. Pegamos o mapa na estação e fomos andando até o rio Reno, porque era ao redor dele que estava todo o turismo da cidade. Andamos uns vinte minutos e nada de rio, cidade deserta. Acho que a gente nunca consegue acertar o caminho de primeira. Finalmente avistamos um portão gigante (que eu já tinha visto na internet!), um dos antigos portões da cidade que costumava ser cercada. Tiramos mil fotos e continuamos pela mesma rua. Quando finalmente avistamos o rio, percebemos que tínhamos dado  uma volta absurda e desnecessária na cidade. 
E a visão do rio Reno é linda. Sentamos ali na mureta por alguns minutos e ficamos imaginando como eram as coisas ali há zilhões de anos atrás. Eu só conseguia chamar o rio de lago, talvez por causa do lago em Zurich. Eu achava que era tudo meio parecido e, afinal, nunca fui muito boa em geografia. Mas o Dani ficava realmente bravo cada vez que eu falava lago, não deixava passar uma. 
Mais um pouquinho a frente e estava parte dos muros que cercavam a cidade, em cujo jardim agora cachorros passeavam e, provavelmente, faziam cocô. Dali, a gente já avistava as torres da Catedral de Basel e as pontes que cruzam as cidades. Fomos até a catedral, mas só o pátio externo estava aberto. Mas já valeu a pena! Nos fundos da catedral, tinha uma imensa sacada com vista para o Reno. 
Voltando para a cidade. Embora seja uma cidade pequena, é uma das mais importantes (e maiores!) da Suíça. Parece, na verdade, uma cidade de interior. Muitas praças, algumas feiras livres, pessoas andando pra lá e pra cá no meio das ruas, às vezes, se desviando dos carros. Em uma das inúmeras pontes, paramos para tirar fotos e um rádio na rua começou a tocar Hanson – Mmmbop, aí eu me senti num programa de jovens que viajam do Multishow.  
No centro comercial, que é até razoavelmente grande, o Dani entrou numa loja de instrumentos musicais, a maior que ele já viu, e ficou louco. Havia também muitas lojas de enfeites de natal, comidinhas de natal, luzes de natal... mas, infelizmente, os famosos mercados de natal ainda não haviam começado. As barraquinhas já começavam a ser montadas nas praças, mas apenas isso.
Pudemos perceber como as pessoas de lá eram simpáticas. Não podíamos abrir o mapa que vinha alguém oferecer ajuda, se oferecer para ajudar.  Às vezes, parávamos para descansar e quem passava nos cumprimentava, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Mas, hospitalidades a parte, o Dani teve mais um incidente no banheiro. Em uma praça não muito movimentada, tinha um banheiro público subterrâneo. O Dani desceu e voltou em poucos segundos. Só havia dois mictórios e estavam ocupados. Esperamos mais de cinco minutos e ninguém saiu. Parece que os banheiros nessas cidades são terra de ninguém. Depois de um tempinho, apareceu um velhinho bem velhinho e desceu. Mas aí não ficamos pra ver o que aconteceu. 
Quando já estávamos bem cansados, resolvemos cruzar o rio e vimos que do outro lado havia uma bandinha cantando e bandeiras de vários países europeus penduradas. Uma competição de regatas havia acabado há pouco e a banda tocava umas canções de despedida meio arrastadas (estilo ‘Cidade Maravilhosa’ em fim de baile de carnaval). E vinham pelo caminho vários jovens carregando seus barquinhos (regatas, sei lá), levando para os respectivos carros, provavelmente, para voltarem pra casa. O povo aqui parece gostar mesmo de regatas. Em Zurich, vimos uma vez a multidão desesperada gritando por causa de uma disputa entre universidades no lago. 
Voltamos para Zürich à noite, com um vagão de trem quase inteiro para nós. Consegui até tirar um cochilo. Cheguei em casa com saudade de Basel. 









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