No dia anterior, domingo, o Dani sugeriu que a gente fizesse o trajeto para que eu não me perdesse e chegasse atrasada no dia seguinte. Fizemos tudo exatamente conforme uma das professoras de lá havia me ensinado por email. E foi bem fácil.
Então, sem atraso, cheguei lá por volta das 8:40 da manhã. Entrei naquele prédio ainda meio vazio, corredores enormes vazios e eu tentando descobrir onde era a sala, mas não encontrava uma única pessoa para perguntar. Quem apareceram primeiro foram dois labradores. Sim, dois labradores saíram de uma sala qualquer e seguiram o corredor passeando.
Depois de mais uma olhada por ali, acabei achando a sala que procurava. Não tinha ideia de como seria. Não sabia se meu inglês iria funcionar, se eu iria entender as pessoas, se as pessoas seriam acolhedoras ou se seriam frias,como muitos me alertavam... não tinha ideia do que seria. Fui arrumada, calça social, blusa social e uma bota que fazia toc-toc pelos corredores vazios, o que me deixava mais nervosa ainda. A primeira pesquisadora que eu conheci veio me receber de calça jeans, tênis, camiseta básica, sem maquiagem. Me senti overdressed para a ocasião. E ainda estava com aquela bota! Minha vontade era pedir para voltar pra casa e trocar tudo.
Mas ela me recebeu bem, foi cordial. Aliás, todos foram. Todos me perguntaram como tinha sido a viagem, se eu estava bem, se estava gostando, se tinha dado tempo de descansar, de conhecer a cidade. Gostei de perceber que as pessoas interagem por ali, tomam café juntas, almoçam juntas, conversam sobre as suas vidas. Isso foi familiar para mim. É verdade que, em alguns momentos, todos falavam inglês comigo e entre si e, de repente, todos começavam a falar alemão! Mas eu entendo que pode ser muito cansativo ficar o dia todo falando outra língua, quando você poderia estar confortavelmente batendo altos papos no seu próprio idioma.
Em relação ao inglês, eu consigo me comunicar muito bem com todos. Não entendo uma coisa ou outra e me enrolo para falar algumas vezes. Mas eles próprios não lembram de todas as palavras, o que me deixa mais a vontade. Tudo ia bem até eu conhecer o menino de Londres... frustante! Entendo duas palavras em dez do que ele diz! É daqueles ingleses que não mexe a boca para falar. Simpático, coitado, quero entendê-lo melhor. As outras pessoas dizem que também tem dificuldade, não sou a única. Mas talvez fique mais nervosa do que o resto. Me dá a sensação de que a coisa para eles é bem mais natural, a coisa flui, com sotaque, trocando palavras, mas naturalmente. Eu fico nervosa, pressionada, porque se não entenderem o meu inglês, o que vou fazer?
Mas até agora, está funcionando. O chato é que ainda não entrei no clima do laboratório, não tenho minhas amostras e, por isso, ainda não tenho meu próprio trabalho para fazer. Fico acompanhando os outros, olhando o que fazem, oferecendo ajuda. O sentimento é parecido de quando eu era estagiária - você não sabe se está ajudando demais ou de menos. Mas aí você vai percebendo quem é mais aberto, quem é menos. E conheci pessoas muito bacanas. O legal é saber que tem tanta gente de outros países, cheios de história para contar, com diferentes experiências dentro da Suíça. Adoro poder escutar.
Fora isso, a faculdade como um todo me impressionou muito. Desde as salas de aula, enormes, passando pelos laboratórios, às portas que vão se abrindo sozinhas, o restaurante, com opção vegetariana todos os dias, a parte externa, com estábulos, imensos jardins e lagos. Impressionante também a comunicação entre os diferentes setores. A informação passa rápido e é tudo interligado. Quando entrei, ganhei um telefone celular para utilizar em ligações internas, para que possa encontrar as pessoas e para que as pessoas possam me encontrar ali dentro. Estou ansiosa pelas minhas amostras, não sossego enquanto não chegarem e eu souber que estão apropriadas. Quero começar logo. Quero sentir que estou ali de fato.
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