terça-feira, 25 de março de 2014

Love Cats

Desde que tenho gatos, sou neurótica em relação a porta e às janelas de casa. Com a chegada do meu primeiro gato, as janelas ficavam fechadas o tempo todo na casa inteira até que a gente colocasse telas. Até hoje, os basculantes, que não tem tela, só ficam fechados. E, ainda assim, sempre que não acho um deles, fico que nem maluca achando que rasgaram a tela ou que algum basculante ficou aberto e eles, na primeira oportunidade, se jogaram lá embaixo. Além da preocupação  de não caírem lá embaixo, já que o  apartamento é no quinto andar, eu teria, de qualquer forma, a preocupação de não deixar eles terem acesso a rua para não serem atropelados, envenenados, mordidos por cachorros, entrarem em brigas com outros gatos ou até mesmo sofrerem violência por parte de um desalmado qualquer. 

E  eu sempre fui muito categórica em relação a esses cuidados. Até eu chegar em Zürich. Aí comecei a ter conflitos filosóficos grandes. A sorte é que meus gatos continuaram no Brasil e eu não precisei transferir minhas maluquices para eles. O fato é que em Zürich a gente vê muitos gatos, mas quase nenhuma tela. Os prédios são baixos em sua maioria e as pessoas sempre colocam rampinhas e mini-escadas em caracol acopladas às suas janelas especificamente para os bichanos, para que sejam felizes indo e vindo. Como os gatos são todos castrados e bem tratados, não se veem gatos de rua e eles não brigam entre si. Além disso, especificamente em ruas menores, os carros não andam rápido e tem que estar sempre atentos de qualquer forma, já que o pedestre tem preferência. 

Eu passei a ver aquela vida de gato com outros olhos. Não que os meus gatos ou os gatos que tem que ficar em apartamentos sejam infelizes. Mas é bom ver um gato podendo ser naturalmente um gato de vez em quando. É bom pra eles poderem dar umas voltinhas de vez em quando, entrar em contato com a natureza, fuxicando jardins, dando corridinhas e se esparramando no sol. Talvez se eu tivesse gatos em Zürich tentasse me livrar das minhas neuroses e deixasse eles com mais liberdade. Sempre que olho as rampinhas e caracóis saindo das janelas penso nisso. 

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