E eu sempre fui muito categórica em relação a esses cuidados. Até eu chegar em Zürich. Aí comecei a ter conflitos filosóficos grandes. A sorte é que meus gatos continuaram no Brasil e eu não precisei transferir minhas maluquices para eles. O fato é que em Zürich a gente vê muitos gatos, mas quase nenhuma tela. Os prédios são baixos em sua maioria e as pessoas sempre colocam rampinhas e mini-escadas em caracol acopladas às suas janelas especificamente para os bichanos, para que sejam felizes indo e vindo. Como os gatos são todos castrados e bem tratados, não se veem gatos de rua e eles não brigam entre si. Além disso, especificamente em ruas menores, os carros não andam rápido e tem que estar sempre atentos de qualquer forma, já que o pedestre tem preferência.
Eu passei a ver aquela vida de gato com outros olhos. Não que os meus gatos ou os gatos que tem que ficar em apartamentos sejam infelizes. Mas é bom ver um gato podendo ser naturalmente um gato de vez em quando. É bom pra eles poderem dar umas voltinhas de vez em quando, entrar em contato com a natureza, fuxicando jardins, dando corridinhas e se esparramando no sol. Talvez se eu tivesse gatos em Zürich tentasse me livrar das minhas neuroses e deixasse eles com mais liberdade. Sempre que olho as rampinhas e caracóis saindo das janelas penso nisso.

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