Depois de conseguir finalmente encontrar um apartamento a partir de março, eu precisava agora descobrir onde ficar em fevereiro. Eu estava mais tranquila, porque na pior das hipóteses, sozinha e apenas por um mês, eu poderia ficar em um conjugado caro e minúsculo, caso não encontrasse nada. Mas felizmente quando eu menos esperava me apareceu um apartamento bem bacana em um lugar lindo, ainda desconhecido por mim, perto do lago.
O chato disso seria ter que me mudar duas vezes em um mês praticamente. Mas eu não tenho nenhuma mobília mesmo, então, teria que levar apenas os meus pertences pessoais e as coisas de mercado que já estavam compradas. Ainda assim, tentei comprar o mínimo possível na última semana para que não tivesse que carregar muita coisa. Na minha cabeça seria super rápido, eu conseguiria fazer em uns três dias. O fato é que quando olhei para tudo empacotado, para as malas, o monitor... bateu um estresse. Que chatice seria levar tudo aquilo. Para completar, o novo apartamento era diametralmente oposto ao antigo, do outro lado da cidade. Demorei uma semana exatamente para conseguir levar tudo. No último dia, tive que fazer três viagens. A melhor alternativa de transporte era o trem, muito mais rápido! Na verdade, eu tinha que pegar um ônibus até a estação de trem de Oerlikon, um trem até a estação principal e então outro trem até o destino final que era o meu novo apartamento. Demorava quase uma hora no total, ou seja, considerando ida e volta, quase duas horas por dia nessa mudança. No início, fiquei super animada, "adoro andar de trem!", pensei. Andar de trem, de fato, é bacana. O problema é que as estações em Zürich são maiores do que parecem e lotadas em horários de pico. Primeiro, você tem que olhar na tabelinha qual o próximo horário do trem que deseja pegar (normalmente, para ir a Estação Principal e para Oerlikon, havia opções o tempo todo). O problema era que eu olhava o horário e o portão e saía correndo. Quando chegava no portão, muitas vezes, via o trem partindo. E ficava igual a uma barata tonta de portão em portão. Ao menos, posso dizer que finalmente aprendi a andar de trem em Zürich.
Quando me mudei definitivamente, agora era me adaptar a nova casa. A primeira adaptação seria morar no térreo. O ranço carioquês me fazia ter um certo medinho de morar no térreo. Nunca morei em casa e, por isso, para mim, há um certo incômodo no térreo, me sinto muito exposta, insegura. As pessoas aqui riem disso, "é completamente seguro", dizem. Além disso, a pessoa que mora nesse apartamento e que havia viajado de férias, não via o menor problema em manter as janelas externas, aquelas venezianas de madeira, abertas, mantendo apenas as de vidro, transparentes, fechadas, sem cortinas. Isso significa que, no térreo, todo mundo que passar na rua pode olhar para dentro do seu apartamento, te ver fazendo comida, mexendo no computador, arrumando a casa... Isso é realmente estranho para mim, embora aqui seja bem comum. Há apartamentos envidraçados do chão ao teto, onde você pode ver a casa da pessoa inteirinha e acompanhar facilmente a rotina da família. E as pessoas não ligam, não usam cortinas muitas vezes. Para mim não dá. A primeira coisa que fiz quando entrei no apartamento foi fechar as janelas de fora. às vezes, abro as venezianas para renovar o ar, mas só. É bem verdade que demorei um bocado para descobrir como se fechavam aquelas janelas. No fim, era fácil, mas não tão óbvio. É ruim não ter a vista, mas eu posso abrir de vez em quando e dar uma checada no mundo lá fora.
Meu segundo desafio foi descobrir como ligar o chuveiro. No primeiro dia, estava muito cansada da mudança e desisti. Acabei tomando banho de banheira mesmo. Não era possível que fosse ser tão difícil ligar um chuveiro assim, gente! No dia seguinte, olhei na internet e fiquei surpresa em saber que não era um problema muito incomum. Acabei descobrindo que você precisa puxar a cabeça da torneira para ligar o chuveiro! Não era um pininho, nem um botão e muito menos uma alavanca, você tem que puxar mesmo é a cabeça da torneira!!!
Um pequeno problema desse apartamento é o fato de que a pessoa que mora ali saiu apenas de férias e suas coisas continuam por lá. Por causa disso, eu não pude desempacotar as minhas coisas, estou meio que acampada mesmo, com roupas ainda dentro das malas. Não tenho espaço no armário e nem onde colocar minhas bugigangas. Por menos de um mês, isso não me importa muito, talvez seja melhor do que tirar tudo e depois de 25 dias, ter que colocar tudo de volta nas sacolas.
Fora isso, estou agora perto de um shopping bem agradável e de dois mega mercados, o que, devo confessar, me deixa bem feliz, pois, afinal, adoro um mercado! Além disso, a tal da montanha de Zürich (Uetliberg) fica ali do ladinho e eu não vejo a hora de conhecê-la. Outra coisa legal é que, vindo da faculdade, o ônibus passa por cima de um viaduto onde a gente tem uma visão espetacular das montanhas (quando você dá a sorte de não haver neblina, claro). Enfim, um mês tá parecendo é pouco para tanta novidade!
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