sexta-feira, 21 de março de 2014

Tentando entender a ZVV - o sistema de transporte de Zürich

No mesmo dia que entramos no nosso apartamento, resolvemos sair para uma volta no centro da cidade no fim da  tarde. Eu estava cansada, muito cansada, mas era sexta-feira e o meu segundo dia em Zürich, eu queria dar uma volta por ali. Afinal, o dia anterior não contava, tínhamos tido horas de voo, carregado o peso das malas, carteira do Dani perdida. Não contava.

Como eu disse, entender o transporte em Zürich não é simples. São muitas opções diferentes, tudo em alemão, tudo é automático. Não dá para pegar tudo de uma hora para outra. A gente foi para o ponto mais próximo de casa para ver o que conseguíamos. E não se passaram dois minutos e ouvimos alguém falando algo em português. Que ótimo, vamos pedir informações, fica mais fácil para nos entendermos. "Você é brasileiro?"; "Não, português."... Ah, serve também, eu pensei.

E aquele senhor foi uma simpatia conosco. Mostrou que ônibus deveríamos pegar da nossa casa, onde tínhamos que saltar para pegar o tram, o trem, outro ônibus, foi explicando o que diziam as telas de TV dentro dos ônibus... até mudou o próprio itinerário para que a gente entendesse tudo certinho. O único problema era que eu não entendia quase nada do que ele dizia. Nem parecia a minha língua. O pior de tudo foi que o Dani balançava tanto a cabeça e fazia tantos comentários que fiquei tranquila, ele estava entendendo tudo. Mas não estava. Saímos do tram e começamos a rir. Estávamos perdidos de novo, tivemos que perguntar a outra pessoa.

Na volta, foi o mesmo problema. Olhávamos todos os mapas e os itinerários, íamos e voltávamos de um ponto para outro, não aguentávamos mais perguntar sempre para alguém, queríamos conseguir fazer aquilo sozinhos. Mas a gente mal sabia onde morava. O nome da rua até agora não sei pronunciar.

A gente só foi entender melhor as coisas no dia seguinte, quando o marido de uma amiga, um suíço que falava português mais claro do que o português, conduziu a gente de estação em estação, explicando todos os mapas, as TVs, os itinerários. E, melhor de tudo, nos levou a estação onde compramos nosso bilhete mensal. Agora, a gente anda o quanto quiser dentro da nossa região.

Todos os  ônibus aqui também tem o seu horário rigoroso. O motorista não pode esperar além daquele período milimetricamente definido ou se atrasa para o próximo ponto. Todos os ônibus tem TVs dentro dizendo quantos minutos leva até cada ponto. É fácil se programar para chegar aos lugares. Para chegar a faculdade, eu preciso trocar de transporte duas vezes e ainda assim chego em menos de meia hora.

Vale lembrar que aqui você não mostra nada quando entra no transporte público, apenas entra. Mas se um fiscal aparecer e você não tiver um bilhete para apresentar, paga uma multa de 80 francos. E os fiscais às vezes andam disfarçados, então, é melhor não arriscar. 

Também paga multa o motorista que não para o carro para o pedestre atravessar. Aqui tem muitas ruas grandes e movimentadas sem sinal de trânsito. Comigo e com o Dani é  difícil, os motoristas costumam ficar bravos, porque a gente nunca tem coragem de sair atravessando, fica sempre no vai-não-vai. É difícil ganhar a confiança. O cara vem a cem-por-hora para frear de repente em cima de você. Mas é assim mesmo. 

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