No mesmo dia que entramos no nosso apartamento, resolvemos sair para uma volta no centro da cidade no fim da tarde. Eu estava cansada, muito cansada, mas era sexta-feira e o meu segundo dia em Zürich, eu queria dar uma volta por ali. Afinal, o dia anterior não contava, tínhamos tido horas de voo, carregado o peso das malas, carteira do Dani perdida. Não contava.
Como eu disse, entender o transporte em Zürich não é simples. São muitas opções diferentes, tudo em alemão, tudo é automático. Não dá para pegar tudo de uma hora para outra. A gente foi para o ponto mais próximo de casa para ver o que conseguíamos. E não se passaram dois minutos e ouvimos alguém falando algo em português. Que ótimo, vamos pedir informações, fica mais fácil para nos entendermos. "Você é brasileiro?"; "Não, português."... Ah, serve também, eu pensei.
E aquele senhor foi uma simpatia conosco. Mostrou que ônibus deveríamos pegar da nossa casa, onde tínhamos que saltar para pegar o tram, o trem, outro ônibus, foi explicando o que diziam as telas de TV dentro dos ônibus... até mudou o próprio itinerário para que a gente entendesse tudo certinho. O único problema era que eu não entendia quase nada do que ele dizia. Nem parecia a minha língua. O pior de tudo foi que o Dani balançava tanto a cabeça e fazia tantos comentários que fiquei tranquila, ele estava entendendo tudo. Mas não estava. Saímos do tram e começamos a rir. Estávamos perdidos de novo, tivemos que perguntar a outra pessoa.
Na volta, foi o mesmo problema. Olhávamos todos os mapas e os itinerários, íamos e voltávamos de um ponto para outro, não aguentávamos mais perguntar sempre para alguém, queríamos conseguir fazer aquilo sozinhos. Mas a gente mal sabia onde morava. O nome da rua até agora não sei pronunciar.
A gente só foi entender melhor as coisas no dia seguinte, quando o marido de uma amiga, um suíço que falava português mais claro do que o português, conduziu a gente de estação em estação, explicando todos os mapas, as TVs, os itinerários. E, melhor de tudo, nos levou a estação onde compramos nosso bilhete mensal. Agora, a gente anda o quanto quiser dentro da nossa região.
Todos os ônibus aqui também tem o seu horário rigoroso. O motorista não pode esperar além daquele período milimetricamente definido ou se atrasa para o próximo ponto. Todos os ônibus tem TVs dentro dizendo quantos minutos leva até cada ponto. É fácil se programar para chegar aos lugares. Para chegar a faculdade, eu preciso trocar de transporte duas vezes e ainda assim chego em menos de meia hora.
Vale lembrar que aqui você não mostra nada quando entra no transporte público, apenas entra. Mas se um fiscal aparecer e você não tiver um bilhete para apresentar, paga uma multa de 80 francos. E os fiscais às vezes andam disfarçados, então, é melhor não arriscar.
Também paga multa o motorista que não para o carro para o pedestre atravessar. Aqui tem muitas ruas grandes e movimentadas sem sinal de trânsito. Comigo e com o Dani é difícil, os motoristas costumam ficar bravos, porque a gente nunca tem coragem de sair atravessando, fica sempre no vai-não-vai. É difícil ganhar a confiança. O cara vem a cem-por-hora para frear de repente em cima de você. Mas é assim mesmo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário