O Castelo era perto do Hotel, era só subir uma ladeira e lá estávamos. E no alto da ladeira, a vista da cidade já é espetacular. Estava muito encantada. As ruelas estreitas, os prédios antigos, os telhados com chaminés... de novo, me senti num filme. Ainda ficamos ali admirando tudo em volta antes de subirmos, de fato, ao Castelo. E quando chegamos lá, uma ventania muito forte nos pegou, as bandeiras se enrolavam todas, os tripés com propagandas do local caíram no chão e as pessoas se aproximavam e se encolhiam. Nas filmagens, mal conseguíamos nos ouvir, apenas o barulho do vento. Ao contrário de Milão, o Castelo em Edimburgo era por si só uma atração. A gente podia visitar tudo ali, desde os pátios externos, até os recintos reais, a capelinha, a prisão, a exposição da coroa, a sala de armas... minha imaginação fértil foi para bem longe.
E o frio aumentou quando o sol começou a se pôr. Eu mal conseguia ir de um pavilhão a outro do castelo sem congelar. Ainda estávamos lá quando anoiteceu. O Castelo se encheu de luzes vermelhas - Dani odiou. Depois descobrimos que era especial para o Natal.
Ainda andamos um bocado pela cidade depois disso. Entramos no mercado de Natal (Sim, ainda estava aberto!) e nos sentimos no mais genuíno dos natais, ouvindo musicas típicas e vendo as crianças (e adultos) patinando no gelo. Foi engraçado ver que as ruas logo começaram a ficar vazias e as poucas pessoas que ainda passavam estavam apressadas, provavelmente para encontrar suas famílias na véspera de natal. E nós estávamos calmamente andando pela cidade, encantados, sem compromisso, sem ceia de Natal, nossa única preocupação era encontrar o mercado aberto. Compramos comida indiana (sim, nosso mais novo vício), vinho, uma sobremesa e voltamos para o hotel. Estávamos muito felizes, mas confesso que, quando começou a passar na TV um concerto de músicas natalinas, ficamos um pouco melancólicos.
O dia seguinte, com tudo fechado, era o dia de passear pelas ruas e parques da cidade. Foi um dia muito divertido. Ficamos o dia inteiro pra lá e pra cá. E, como Edimburgo é relativamente pequena, pudemos passar pelos mesmos lugares várias vezes, o que fez parecer que passamos um mês na cidade. Começamos pela parte velha da cidade e, na rua principal, já nos assustamos com a quantidade de becos estreitos e escuros, cada um com o nome próprio,. que ligavam a Royal Mile a outras ruas. Em um desses becos, o Mary King's Close, seria a nossa visita às ruas subterrâneas de Edimburgo, no dia seguinte. Andar por aquela rua só me deixou mais ansiosa. No final dela, havia um lindo palácio, que estava fechado, e um parque gigantesco. De lá, podíamos subir pequenas serras e ver a cidade lá de cima. Logicamente, não tínhamos tempo para subir em todos, mas escolhemos um, perto de um laguinho. O clima não poderia estar melhor para isso - frio com sol.
Deste parque, seguimos em direção a Princess Street e paramos em um ponto ainda mais alto - um ponto de observação de onde, diziam, se tinha a melhor vista de Edimburgo. Eu nem sei, vi Edimburgo de tantos ângulos diferentes que já nem sabia meu preferido. Mas acho que esse, com certeza, era o mais alto. Edimburgo é tão, mas tão linda, que eu tirei dezenas de fotos de cada ponto, porque toda vez que passava de novo pelo mesmo lugar, me surpreendia com a visão e queria um novo registro. Sempre achava que poderia ficar melhor do que a anterior. O Castelo, que era tão perto do hotel, foi um dos alvos preferidos. Cada vez que saíamos ou chegávamos, víamos uma luz diferente, um ângulo novo, algum detalhe... a gente nunca queria perder o momento.
Nesse dia, antes de voltarmos ao hotel, decidimos passar novamente pela Royal Mile, queria ver aqueles becos à noite e seria a única oportunidade. Aproveitei para checar exatamente onde seria a entrada para as ruas subterrâneas em que iríamos no dia seguinte. Caminhamos mais uma vez calmamente por ali. A rua estava movimentada a essa altura e as pessoas pareciam todas satisfeitas e empolgadas. Já estávamos sentindo saudades antes de irmos embora.
Na manhã seguinte, largamos nossas malas no depósito do hotel e fomos aproveitar nosso último dia. Demos uma volta pelas redondezas e chegamos ao Mary King's Close. Foi um tour assustador - e não apenas porque ele se propõe a isso, mas porque estávamos pisando no real lugar onde tudo aconteceu, na época em que famílias inteiras viviam em micro-casas, debaixo das ruas de Edimburgo. As histórias dos fantasmas que já passaram por ali assustam de verdade, mas o que acontecia antes desses fantasmas já era por si só de embrulhar o estômago. Parecia que nesse momento, tínhamos fechado nossa estadia em Edimburgo. Depois do almoço, já precisávamos nos preparar para ir ao aeroporto.
E resolvemos almoçar num restaurante muito interessante. Por fora, parecia a entrada de um clube ou algo assim, mas, por dentro, era um lugar enorme, com múltiplos salões, cheios de mesas e balcões, com telões passando jogos de futebol. A decoração lembrava as de salões antigos, com portas de madeiras e detalhes em dourado, mesas e cadeiras de madeira pesadas e quadros mórbidos de pessoas na parede. No salão principal, não eram permitidas crianças. Conseguimos descolar uma mesa (Não foi fácil!) e pedimos... um curry! Sim, não conseguíamos evitar!!! Às vezes, eu bem que tentava escolher algo diferente, mas sempre acabava na comida indiana. Para amenizar, comemos 'onion rings' de entrada - deliciosas! Dani tomou uma daquelas cervejas gigantes e adorou. Saímos de lá sonolentos. Precisávamos apenas pegar as malas no hotel e seguir ao aeroporto.





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