Antes de voltarmos para casa, passamos no mercado. Não tinha nada em casa para comermos. Compramos umas provisões para os próximos três dias (já que os dias 01 e 02 seriam feriado) e alguns vinhos para bebermos à noite, já que seria a virada de ano. Ainda não sabíamos o que faríamos, se ficaríamos em casa, comemorando de pijama e, quem sabe, com tanto cansaço, dormindo antes da meia-noite, ou se veríamos a queima de fogos no lago de Zürich, a maior da Suíça.
Chegamos em casa, comemos um macarrão rápido feito pelo Dani, tomamos um banho e nos enfiamos na cama. Ficamos lá o dia todo, dormindo e acordando e pensando no que fazer à noite. Todo 31 de dezembro eu reclamo o fato de não ter nada de diferente para fazer, de o Rio de Janeiro ser intransitável no Ano Novo etc. Pela primeira vez, eu estava em um lugar totalmente diferente e totalmente transitável. Eu tinha que juntar forças para dar uma volta até o lago e conferir se a cidade fantasma acordava para o Reveillon.
No meio da tarde, algumas pessoas começaram a soltar uns fogos tímidos na vizinhança. A noite começou a cair e a gente continuava desanimado. No site da ZVV, o sistema de transporte de Zürich, eles alertavam que tínhamos que comprar o ingresso de volta, se possível, com antecedência, para evitar filas gigantescas na volta. Aquilo me desanimou mais ainda. Fiquei lembrando dos anos em Copa quando eu tinha que pegar um ônibus lotado ou voltar tudo andando. Não ligo de andar muito, mas não é o meu programa preferido quando é durante a madrugada e, principalmente, após duas semanas de viagem.
Quando já eram dez da noite, finalmente tomamos a decisão. Na verdade, eu estava como sempre indecisa, mas o Dani acabou me convencendo que seria melhor ir do que ficar em casa e dormir. Afinal, teríamos mais quase uma semana para não sair da cama se assim quiséssemos.
A decisão do que vestir não era tão difícil. Primeiro, ao contrário do Brasil, as pessoas aqui não colocam sua melhor roupa, nem uma roupa nova e nem branca para ir até o lago ver os fogos. Segundo, a noite estava fria e, mais cedo ou mais tarde, todos teriam que colocar seus casacos pesados por cima dos trajes. Então, não tinha muito que pensar "no que vestir". Coloquei uma roupa padrão e seguimos pra rua.
Para chegarmos ao lago, tínhamos que pegar um ônibus na porta de casa e, a seguir, um tram, que nos deixaria no centro, a uma caminhada de uns quinze minutos de onde seria um bom ponto para assistir à queima de fogos. Assim, conforme íamos nos aproximando do centro, o número de pessoas pelas ruas e dentro do tram ia aumentando. E não é que o povo daqui, normalmente tão contido, estava é animado?? Bêbados, carregando garrafas, falando alto, rindo alto e andando em grupos. E, quanto mais perto do lago, maior era a multidão. Escolhemos um lugarzinho na grama, abrimos o vinho e ali ficamos, conversando e esperando a virada.
Quando deu meia-noite, foi uma decepção. Os fogos eram mais barulho do que qualquer coisa. Qualquer torcida de futebol pequena no Brasil fazia melhor do que aquilo. A gente achou até engraçado. Não podemos esperar que seja igual Copacabana, pensamos, não é a mesma coisa. Mas tava ruim demais, amador demais, eu não tinha nem vontade de tirar foto. E ficamos ali, olhando e rindo.
De repente, quando já estávamos prestes a ir embora, por volta de umas 12:15, aqueles fogos muquiranas desapareceram. Ficou tudo escuro e preparado para a sequência de fogos que se iniciaria dali pra frente, iluminando o céu em várias cores e em vários desenhos. Aquilo sim foi uma surpresa, foi quase uma pegadinha. Daí descobrimos que, em Zürich, quando chega a meia-noite, as pessoas soltam os fogos antes, cada um solta o seu democraticamente. Depois de quinze minutos, começa a queima oficial da cidade, que é bem bonita e fica mais bonita ainda naquele visual do lago com as torres das igrejas ao redor.
Quando a queima oficial acabou, esperamos o lugar se esvaziar um pouco e seguimos pra voltar pra casa, dispostos a ir a pé se fosse necessário. Eu já estava esperando uma fila enorme para compra do ticket (que não compramos com antecedência, porque cogitávamos voltar a pé, se a fila estivesse grande), outra fila para o tram e, obviamente, um tram lotado. Mas não foi nada disso. Chegamos no ponto e não tinha ninguém na fila para comprar o ticket. Dentro do tram, vários lugares vagos. Um tranquilidade. Fiquei muito feliz porque estava cansada demais para enfrentar espera, muvuca ou ter que voltar andando.
O Reveillon em Zürich foi tão organizado quanto os outros dias, com um pouco mais de gente, é claro. Agora, era voltar pra casa e dormir quanto tempo quisesse.





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