sexta-feira, 21 de março de 2014

Seebach

E os dias iam se passando e, ao longo da semana , eu via o apartamento em Seebach ficando vazio. Me dava de certa forma um aperto no coração. Não podia deixar de sentir um chamego especial  por Seebach, o primeiro lugar em que estivemos ao chegar na Suíça. Seebach não é nem de longe o primeiro lugar em que as pessoas pensam em morar aqui. Na verdade, é um bairro com muitos estrangeiros e longe do centro. Mas para gente era perfeito. Ruas calmas, cheias de mato em volta, do lado da floresta, onde o Dani costumava correr (e já tinha decorado todos os rostos das pessoas que também estavam ali todos os dias de manhã - a velhinha mega maquiada, o casal oriental fazendo ginástica, a mãe com o bebê no carrinho...), um Coop bem na nossa porta e um Migros gigante a poucos minutos. Tranquilidade total. Passamos dias maravilhosos ali e, em apenas três meses, me sentia totalmente em casa. Estou animada com o(s) novo(s) apartamento(s), mas um pouco melancólica ao mesmo tempo por estar dando adeus a  Seebach. Não sei se pelo fato da vinda para Seebach ter sido acompanhada de mudanças tão radicais na minha vida, os três meses pareceram muito mais do que isso. Quando fui devolver as chaves na segunda-feira, depois de já ter me mudado definitivamente há uns três dias, olhei bem para tudo: para o Coop, sabendo que nunca mais "desceria rapidinho" para comprar um vinho, um suquinho ou um docinho; para a paisagem linda em volta; para as  pessoas correndo para pegar o 75; e para a longa escadaria que subi pela última vez. As pessoas continuariam ali, subindo aquelas escadas, marcando seus dias de lavanderia, descendo do 75 e andando até em casa... Foi difícil tirar o "Monteiro de Miranda" da caixa do correio e saber que outro nome entraria ali. Era como se eu sentisse ciúmes. Outras pessoas agora estariam olhando a nossa vista da janela, a vista que a gente tanto gostava. E gostávamos de todas as vistas, cada janela e a varanda mostravam uma partezinha diferente. A minha alegria é saber que tiramos muitas e muitas fotos daquela paisagem e que poderemos lembrar dela mesmo quando a memória faltar.  Depois dali, eu pegaria o último 75 em Schönauring para a faculdade. Aquele mesmo caminho que eu fiz todos os dias durante três meses, faria pela última vez. 











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